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Viagem de Bolsonaro não rende dólares

O presidente Jair Bolsonaro embarcou neste domingo para uma viagem aos Estados Unidos, o primeiro país a ser visitado por ele — excetuado o fórum de Davos –, o que […]

18/03/19

O presidente Jair Bolsonaro embarcou neste domingo para uma viagem aos Estados Unidos, o primeiro país a ser visitado por ele — excetuado o fórum de Davos –, o que é significativo. Um encontro privado com o presidente Donald Trump está previsto para a terça-feira, dia 19, e o grande assunto será certamente a caótica Venezuela.

Não se sabe o que vai resultar das conversações, mas, ao que se espera, o governo brasileiro deve manter a posição, respaldada pelo setor militar, de não intervenção armada naquele país vizinho, estando também afastada a ideia de cessão de área na Amazônia para instalação de base militar dos EUA.

Mesmo com essas reservas, a viagem destina-se, declaradamente, a reforçar os vínculos com os EUA em matéria de política internacional, o que vem sendo chamado de “realinhamento”. Os temas econômicos podem surgir aqui e ali, mas deverão ficar para “futuro exame”.

É possível que, como foi noticiado, sejam assinados acordos na área militar, envolvendo compra de armamentos para as Forças Armadas e uso da base de Alcântara (MA), para lançamento de satélites, mas deve parar por aí.

O que se nota, na realidade, o País parece ter deixado de interessar pouco aos investidores americanos em geral, de uns tempos para cá. O próprio Trump retirou há dois anos sua marca de um hotel de luxo no Rio. Pode ser que, com a prolongada recessão que o País tem sofrido, o mercado consumidor brasileiro tenha deixado de ser atraente e o turismo só no Carnaval. Além disso, outros países hoje oferecem mão de obra mais barata para a manufatura.

O fato é que há empresas americanas que vieram para cá   há décadas que estão desativando atividades, como é o caso da Ford, que vai fechar sua unidade de caminhões na região do ABC paulista. 

Talvez Trump não tenha nada com isso, mas se elegeu com a promessa de induzir empresas americanas que investiram no exterior a redirecionarem investimentos para seu país de origem. 

Uma coisa que Trump tem a ver é que são as restrições às importações de laminados de aço procedentes do Brasil e outros países, e que prejudicaram a siderurgia nacional.

Mas nada disso estará em pauta em Washington. A constatação é de que não parece distante o dia em que as empresas americanas deixarão o 1º. lugar no ranking de investidores estrangeiros no País, o que resulta de um legado histórico.  

Essa primazia é hoje muito disputada e só alguns tresloucados afirmam que o País está sendo “vendido” à China, hoje em 8º. lugar na ranking de países que mais fazer investimentos diretos no Brasil, vindo atrás do Reino Unido, Alemanha, Espanha, Japão e outros. Seja como for, Bolsonaro com Trump na Casa Branca será uma boa “photo op”, a ser divulgada pelos jornais e pela mídia eletrônica, tão do gosto do ocupante do Planalto e seu grupo. Mas não deve render dólares.


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