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Uma jóia de assunto

Luiz Fernando D. Garcia A revista Veja desta semana (data de capa: 14 de setembro) brinda-nos com um tema de extrema relevância para a maioria da população brasileira, que foi […]

por Leonardo Trevisan
14/09/11

Luiz Fernando D. Garcia

A revista Veja desta semana (data de capa: 14 de setembro) brinda-nos com um tema de extrema relevância para a maioria da população brasileira, que foi o roubo dos cofres particulares de uma agência do Banco Itau, aqui em São Paulo. Como eu só conhecia a estrutura dos cofres particulares através de filmes policiais, fiquei extremamente animado – através de infográficos e muitas outras formas –  a tentar aprender como o perfil dos ladrões está se tornando sofisticado. Coisa de primeiro mundo!  Quase um sentimento de ufanismo! (se você não percebeu nenhum traço de ironia até aqui, por favor avise, pois preciso melhorar meu texto!).

Mas não é este exatamente o tema: quis o acaso que eu sem querer visse o dito exemplar da revista aberto por sua lombada. Isto é, eu vi a capa e a quarta capa ao mesmo tempo. E, para minha surpresa, o anúncio da 4ª. capa é exatamente o da  joalheria Vivara.

Obviamente, não resisti, fotografei imediatamente com meu celular e postei no facebook com a seguinte questão: ”Anúncio de oportunidade, terrível coincidência ou não tem nada a ver!?!?” Até o momento em que escrevo, 45 pessoas curtiram o achado e mais de uma dezena fez alguma espécie de comentário.

Na verdade, não faço a menor idéia de quantas pessoas realmente chegarão até o final da revista e farão esta associação entre mensagens, mas ela está lá e é instigante pensar. De modo geral, a percepção daquele grupo é que não é necessariamente uma coincidência, podendo em alguns casos até mesmo entender como um anúncio de oportunidade. Algo definido como até mesmo incentivado entre a redação e a área comercial. Por mais que eu curta uma idéia conspiratória (rende grandes roteiros!), tenho a sensação de ser insensata a ação, se promovida.  Afinal, conteúdos de cofre particular raramente são declarados e o banco ressarcirá, nestes casos, com o valor de seguro padrão (li que é algo em torno a 15 mil reais, valor menor do que um simples Rolex que muitos ali mantinham guardado, com certeza). O que dificulturá bastante comprar uma peça para começar a reposição dos bens. Não é mesmo?

Para mim, é mais um bom exemplo de quanto a chamada “agenda pública” destacada pela revista pode acabar alterando a percepção do público. Afinal, se em grandes centros urbanos onde a violência é destaque, comprar e utilizar jóias (principalmente diamantes) é ainda mais inibido (não falei do preço, que é o inibidor principal), imagine quando a capa da revista destaca a fragilidade daquele espaço entendido como o mais protegido. Na minha cabeça, é parecido com a nossa lógica cidadã: é preciso crer em política mas como é difícil fazê-lo após ouvir qualquer programa jornalístico.

E pra fechar minhas considerações breves: uma das percepções deste grupo também foi que a referida joalheria está utilizando o mesmo slogan que a De Beers utilizou por décadas: “Diamantes são para sempre”.  É verdade!  Ou, na fala de um dos últimos comentários, “isso só demonstra que os diamantes não são para sempre, pelo menos não nos mesmos dedos e pescoços”.   E um dos comentários também muito interessantes: “Pior, poderia ser um anuncio do Itaú”.   Excelente!


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