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“Um Banho de Vida”, a visão francesa do nado sincronizado… masculino

Claudia Bozzo  Está fácil imaginar qual será o próximo filme francês a ser copiado. É “Um Banho de Vida”, comédia, que entrou em cartaz na semana passada, e tem tido […]

27/03/19

Claudia Bozzo 

Está fácil imaginar qual será o próximo filme francês a ser copiado. É “Um Banho de Vida”, comédia, que entrou em cartaz na semana passada, e tem tido uma alegre recepção por parte do público paulista, pelo menos. Em Cannes, onde foi apresentado fora de competição, foi muito aplaudido.

A história da equipe masculina de nado sincronizado que quer representar a França em um torneio mundial promete seguir o mesmo caminho de “Intocáveis” (2011), que além de uma versão americana, teve uma inacreditável refilmagem argentina. Outro filme “adaptado” pelos EUA, com resultados lamentáveis foi “O Jantar dos Mala” de 1998, dirigido por Francis Veber que em 2010 serviu de base a “Dinner for Schmucks” sobre o grupo que todo mês arranja um convidado com um hobby muito exótico para servir de vítima aos esnobes. Também entra na categoria de filmes “adaptados” “O Espelho tem Duas Faces” de 1996, no qual Barbra Streissand e Jeff Bridges replicam o par romântico de Sophie Marceau e Vincent Perez em “Fanfan” de 1993.

“Um Banho de Vida”, que passa um tom escapista, no momento em que o país enfrenta a revolta dos coletes amarelos, tem uma trilha sonora inspirada que dá a ambientação à história, incluindo Tears for Fears e Phil Collins, entre muitos outros.

O filme remete, inevitavelmente ao grande sucesso do cinema, o incomparável britânico “Ou Tudo ou Nada” (1997), de Peter Cattaneo, no qual um grupo de desempregados lança um show de strip-tease masculino. E tem “citações” de vários outros filmes do gênero, passeando por “Embalos de Sábado à Noite” (1977), “Flashdance, Em Ritmo de Embalo” de 1983 (não falta nem a fornalha da siderúrgica onde a bailarina interpretada por Jennifer Beals ensaia em intervalos do trabalho. (É só acompanhar o personagem de Guillaume Canet, e seus ensaios).

Aqui em “Um Banho de Vida” um grupo de homens meio perdidos na vida, entre eles o desempregado Bertrand, interpretado pelo ‘cult’ Mathieu Amalric, o bem-sucedido diretor de uma siderúrgica, Laurent, vivido por Guillaume Canet (ambos competem para saber quem está mais deprimido) ou o empresário à beira da falência, o sempre divertido Benoît Poelvoorde (Marcus) e o “roqueiro” nas horas vagas e ajudante de lanchonete escolar, o carismático Jean-Hugues Anglade, no papel de Simon.

O grupo é bem diversificado, e inclui um porteiro tímido e um imigrante que sequer fala francês. Juntos formam uma coleção de “patinhos feios” que ao frequentar a piscina municipal encontram folhetos com a convocação para um grupo de nado sincronizado masculino, atividade que todos desconheciam, mas na qual resolvem embarcar.

A treinadora é Delphine, bela jovem, com problemas de alcoolismo, e quando o grupo descobre que haverá uma competição internacional da modalidade na Noruega, mobilizam-se para e acelerar os treinos. Como ela enfrenta problemas, tira uma licença-saúde e é substituída por Amanda, paraplégica e ex-atleta, que impõe uma rígida disciplina ao grupo.

O filme, dirigido pelo também ator Gilles Lellouche (ele interpreta um importante chefe mafioso em “A Conexão Francesa”, de 2014) conta com um roteiro sensível e diálogos interessantes, brincando com a ideia de praticar um esporte que seria “coisa de mulher”. E a própria treinadora Delphine os convoca a liberar “a mulher interior” para poder se soltar e entrar no espírito da competição.

Segundo um jornal francês, os atores tiveram sete meses de treino, sob a liderança da atleta Julie Fabre, treinadora da equipe olímpica francesa de natação artística.

Não é um filme de gargalhadas. É um filme de sorriso, de luz e compreensão. Ele trilha o difícil caminho da superação entre pessoas em momentos delicados de suas vidas. E todo mundo sai alegre do cinema, por mais improvável que possa ser a história.


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