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Um ator excepcional, numa excelente série do Netflix: “River”, com Stelan Skarsgård

Claudia Bozzo O Netflix é uma mina a ser explorada, com verdadeiras preciosidades, para todos os gostos. Uma das mais recentes descobertas, dirigida a quem gosta das impecáveis séries policiais […]

19/06/16

Claudia Bozzo
O Netflix é uma mina a ser explorada, com verdadeiras preciosidades, para todos os gostos. Uma das mais recentes descobertas, dirigida a quem gosta das impecáveis séries policiais inglesas, é “River”. São seis episódios de 2015, uma produção BBC e Netflix, com atores excepcionais (o sueco Stellan Skarsgård, um dos favoritos de Lars Von Trier, com o qual trabalhou em 6 filmes), e os britânicos Nicola Walker e Eddie Marsan. E Abi Morgan, a talentosa roteirista, é a mesma dos filmes “A Dama de Ferro”, de 2011, com Meryl Streep, “As Sufragistas” (2015), além de ser criadora e roteirista de “The Hour”, série da BBC (2011- 2013) que narra a história de criação de um jornal de 60 minutos na TV britânica, misturando guerra fria, romance e jornalismo com grandes atores, também disponível no Netflix.

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Tudo isso só para mostrar que “River” está em boas mãos e vai além do que promete. É um drama denso, com personagens intensos, consistentes, nas mãos de atores que dominam seu ofício. Skarsgård interpreta John River, o policial que tenta descobrir quem matou sua parceira, Jackie ‘Stevie’ Stevenson, papel de Nicola Walker. Ele é sério, “travadão”, mais para o depressivo, e tem a capacidade de dialogar com pessoas que não estão exatamente em cena, mas que fazem parte de seu universo muito particular. É uma pena, mas qualquer coisa que se diga sobre a série funcionará como um “spoiler”.

Bom mesmo é acompanhar, capítulo por capítulo, o intrincado emaranhado de personagens, interesses, sentimentos reprimidos, emoções reprimidas.

Mais não se deve dizer para não afetar o fator surpresa – uma das melhores coisas da série – que mostra como pode ser competente o trabalho de uma roteirista, amparada pela excelência das interpretações. Skarsgård está nada menos que soberbo. Alterna emoções com a facilidade de quem tem o total domínio de seu ofício. O ator, sueco, é pai de oito filhos, seis deles com a primeira mulher e dois com a segunda. Cinco tornaram-se atores.

Participou de filmes como “Mamma Mia” (2008), os inesquecíveis “Dançando no Escuro” (2000) e “Ondas do Destino” (1996), de Von Trier. Também fez alguns blockbusters, como três da franquia “Piratas do Caribe”, entre 2006 e 2007, um “Thor” e outros. Além de “Milleniun: Os homens que não amavam as Mulheres”, de 2011. Mas sempre com um pé na grande arte de interpretação, mesmo porque sustentar oito filhos não deve ser fácil.

Em uma entrevista ele comentou não é religioso nem nada parecido: “para mim é muito bom ter um monte de filhos. Eles cuidam uns dos outros”. Comparando sua terra natal com os Estados Unidos, observou que em Hollywood “o trabalho está em torno de você o tempo todo: não se consegue pegar um taxi sem que o motorista lhe entregue um roteiro. Onde eu moro (Suécia) as pessoas ainda devoram livros que não serão transformados em filmes”.

Mas prosseguindo na garimpagem, e ficando no tema, séries inglesas, há muita coisa boa. “Luther”, com Idris Elba é bastante conhecida, e tem três temporadas. A última temporada de “Wallander”, com Kenneth Branagh, também já chegou ao serviço. E ainda dá para conferir “Happy Valley” (segundo o jornal britânico Guardian, que considera essa uma das melhores séries já feitas, vem aí uma nova temporada). Há também “Broadchurch”, “Interland”, “Line of Duty” e muitas outras. O bom é que quando o serviço identifica o seu gosto, são as séries que chegam a você, abreviando a busca.


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