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Um antipetista feroz no comando das privatizações

Klaus Kleber   Os principais integrantes da equipe econômica do futuro czar da Economia Paulo Guedes fizeram doutorados ou cursos em universidades americanas. Predominam os “Chicago boys”, ex-alunos da Universidade […]

26/11/18

Klaus Kleber

 

Os principais integrantes da equipe econômica do futuro czar da Economia Paulo Guedes fizeram doutorados ou cursos em universidades americanas. Predominam os “Chicago boys”, ex-alunos da Universidade de Chicago, a começar pelo próprio Guedes e seus colegas Roberto Castello Branco, indicado para a presidência da Petrobras, Joaquim Levy que vai dirigir o BNDES e Rubem Novaes, futuro presidente do Banco do Brasil.

Têm formação em instituições superiores dos EUA o indicado para a presidência do Banco Central, Roberto Campos Neto (Universidade da Califórnia) e Pedro Guimarães (Universidade de Rochester), que vai para a presidência da Caixa Econômica Federal. Remanescente do governo Temer, Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, também pode exibir diploma de instituição de prestígio acadêmico dos EUA ((Massachusetts Institute of Technology-MIT).

Destoa desse grupo o empresário mineiro Salim Mattar, presidente do conselho da bem-sucedida Localiza, empresa de aluguel de automóveis, escolhido para chefiar a Secretaria Geral de Desestatização, subordinada ao super-Ministério da Economia, a ser criado.

Por mais que pesquisasse, não consegui informação sobre a formação de Mattar. Ele pode ser administrador de empresas, economista ou advogado por formação, não sei. Mas, além de amigo de Paulo Guedes há 30 anos, ele é, sem dúvida, um liberal de carteirinha, sendo um dos membros fundadores do Instituto Liberal e do instituto Millenium (MIL).

O certo mesmo é que, segundo entrevista ao Brazil Journal (8/9/2014), ele fez um curso noturno de contabilidade e, aos 16 anos, leu “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, que o guiou pelos caminhos da economia de mercado. Mais tarde, ele leu na extinga revista Visão, então de propriedade de Henry Maksoud, capítulos de “O “Caminho da Servidão, de Friederich Hayek, que reforçou suas convicções liberais em economia.

Mais tarde, ele foi um dos financiadores da edição brasileira de “Atlas Shrugged”, da ultraconservadora Ayn Rand, inspiradora do movimento Tea Party nos EUA, que recebeu aqui recebeu o titulo de “A Revolta de Atlas”, traduzida por Paulo Henriques Britto (Editora Arqueiro)

Além do fato de ser um dos maiores financiadores da campanha eleitoral de 2018, em apoio inclusive do futuro ministro-chefe da Casa Civil Onyx Lorenzoni, as leituras citadas e outras dariam credenciais a Mattar para comandar um processo de privatizações?

Ele é, claro, é um empresário e sabe negociar, mas isso seria suficiente? O que ele sabe de administração pública e de relações com o Congresso para aprovar uma desestatização de grande escopo como promete o próximo governo da República?

Só futuro essas perguntas poderão ser respondidas. O certo é que Salim Mattar, que é do Partido Novo, mas pregou voto útil em Bolsonaro, é um antipetista feroz. Na citada entrevista ao Brazil Journal de quatro anos atrás, ele disse que apoiava Aécio Neves, mas não descartava a hipótese de Marina Silva vencer o pleito.

“Qualquer governo novo serve”, disse ele na época. “Um governo que seja pior do que o da Dilma serve, porque vai “despetizar” o governo”.


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