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Turbilhão de dólares

Klaus Kleber Há quem já preveja que a redução dos impostos para as empresas e para os mais ricos nos EUA, a única vitória importante do presidente Donald Trump até […]

04/02/18

Klaus Kleber
Há quem já preveja que a redução dos impostos para as empresas e para os mais ricos nos EUA, a única vitória importante do presidente Donald Trump até agora, vai prejudicar o Brasil, carreando menos dólares para cá. Isso sem falar no recrudescimento do protecionismo, outra marca do controverso ocupante da Casa Branca.

Isso pode ocorrer em algum ponto no futuro, mas até onde se pode prever, esta é uma perspectiva remota. Como foi noticiado, a captação de empresas brasileiras no mercado internacional em janeiro não foi impactada pelo rebaixamento da nota do País pela Standard & Poor’s (S&P), ensaiado também por outras agências ede classificação de risco.

Até 29 de janeiro, essa captação já tinha chegado a US$ 7,155 bilhões. É verdade que houve o lançamento de US$ 2 bilhões de bônus pela Petrobrás, em condições muito favoráveis. Mas algumas empresas privadas estrearam no mercado externo com sucesso, como a Natura e a Hidrovias do Brasil.

Além disso, o saldo da balança comercial em janeiro (US$ 2,76 bilhões) foi muito bom, com um avanço de 13,8% das exportações em comparação com o mesmo mês de 2017, somando US$ 16,96 bilhões). Essa performance mostra que o ciclo de alta das commodities ainda está em curso. As importações estão reagindo, tendo tido um crescimento de 16,4%, chegando a US$ 14,19 bilhões, mas isso está longe de comprometer o saldo comercial.

A continuar nessa marcha, é possível que o País venha ter um novo superávit comercial recorde em 2018. O Banco Central prevê um saldo de US$ 59 bilhões, mas, como ocorreu em 2017, isso pode ser uma subestimativa.

A grande preocupação é com investimentos estrangeiros diretos (IED). Trump quer que as multinacionais com sede nos EUA abram mais fábricas ou laboratórios no território americano, aproveitando a redução da carga tributária. Acontece que, no Brasil, os maiores investimentos estrangeiros têm vindo da China e, em casos específicos, como do petróleo, da Noruega e outros países.

E não deixa de ser duvidoso que companhias americanas, há décadas instaladas no País, venham a ceder espaço para concorrentes, deixando de investir aqui. De qualquer forma, se as privatizações forem em frente, a entrada de IED pode superar US$ 80 bilhões este ano, que a projeção do do BC.

Em suma o turbilhão de dólares não deve encolher tão cedo, apesar de este ser um ano eleitoral. Bem a propósito, as reservas internacionais do Brasil continuam subindo e entraram fevereiro na marca de US$ 383,47 bilhões.


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