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Trump garante novos protestos no Oscar

Claudia Bozzo O presidente norte-americano Donald Trump acaba de comprar outra briga com Hollywood. O diretor iraniano Asghar Farhadi, já premiado com um Oscar e indicado para outro é proibido […]

29/01/17

Claudia Bozzo
O presidente norte-americano Donald Trump acaba de comprar outra briga com Hollywood. O diretor iraniano Asghar Farhadi, já premiado com um Oscar e indicado para outro é proibido de entrar no país.

Esta coluna hoje seria sobre a injusta distribuição de talento nesse planeta, que tem a sorte de ter um cineasta como Marco Bellocchio. O diretor de “Belos Sonhos” (2016), em cartaz, traz a comovente história do um menino, Massino, que perde a mãe aos oito anos. A dificuldade em superar a perda o acompanha durante a vida. Torna-se jornalista esportivo, cobre guerras e conflitos, mas continua um menino órfão.

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Um filme muito italiano, com todo o peso da religião, machismo, relações familiares e a importância da mamma. Bellocchio, diretor também de “Vincere” (2009), do clássico “A China Está Próxima” (1967), “Bom Dia, Noite” (2003), sobre o grupo que sequestrou e assassinou o primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978 é a comprovação de que saber fazer filmes muito bons é para poucos.

Já a ignorância correria solta, não fosse a rápida ação da justiça, e de entidades de defesa dos direitos humanos, em certos casos. Pois a justiça norte-americana acaba de frear, este domingo, em regime de urgência, parte da determinação do presidente Donald Trump, de impedir a entrada de refugiados e outros estrangeiros nos Estados Unidos. A medida atingirá o cineasta iraniano Asghar Farhadi, indicado ao Oscar pelo seu filme “O Apartamento” (2016), o único em seu país a já receber esse prêmio, por “A Separação” (2011). O filme, que está em cartaz no Caixa Belas Artes, foi exibido em São Paulo na Mostra de Cinema do ano passado, que por coincidência trouxe uma retrospectiva de Marco Bellocchio.

Trump determinou a proibição, por quatro meses, da entrada de todos os refugiados cujos países de origem sejam Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen. Para os refugiados sírios, a proibição tem prazo indefinido.

Jovem, nascido em 1972, Farhadi, atraiu grande público em São Paulo com “A Separação”, sobre o tumultuado divórcio de um casal, ressaltando a difícil situação de uma mulher na sociedade iraniana. Na Mostra, falou sobre o apartamento que é vendido, ao mesmo tempo, a vários compradores. Graduado em teatro pela Escola de Artes Dramáticas de Teerã e pós-graduado em direção de palco pela Universidade Tarbiat Modarres, trabalhou na TV e estreou no cinema profissional como corroteirista. Entre seus longas, estão “Linda Cidade” (2004, visto na 28ª Mostra), “À Procura de Elly” (2009, 33ª Mostra), recebeu o Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim por “A Separação” primeiro filme iraniano a ganhar um Oscar.

Disse ter tirado a história de uma notícia de jornal, e consegue com bons diálogos e uma história que acrescenta uma pitada de suspense e reflexões sobre o caráter dos indivíduos – afinal, há um estranho pacote de dinheiro naquele endereço – sem sair do espaço delimitado do imóvel.  Certamente, como Holywood não morre de amores por Trump, o muro contra os islâmicos certamente aumenta as chances de “O Apartamento” na categoria de melhor filme estrangeiro.


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