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Trump bagunça previsões para 2018

Klaus Kleber Enquanto o presidente Donald Trump dava vazão a seus preconceitos em suas tuitadas, isso podia nos causar repugnância, mas não nos afetava. Agora é diferente. O presidente dos […]

04/12/17

Klaus Kleber
Enquanto o presidente Donald Trump dava vazão a seus preconceitos em suas tuitadas, isso podia nos causar repugnância, mas não nos afetava. Agora é diferente. O presidente dos EUA obteve a sua primeira vitória legislativa com a aprovação pelo Senado de sua proposta de corte de impostos. Os grandes beneficiários serão as grandes companhias e os ricos, cuja alíquota do imposto de renda (IR) cairá de 35% para cerca de 20%.

A classe média também é beneficiada, pelo menos no papel, uma vez que os contribuintes não poderão de deduzir seus impostos locais e estaduais de suas declarações do IR. Mas, demagogicamente, a coisa pode funcionar a favor dos republicanos.

A turma de Trump diz que, com a redução dos impostos, as empresas americanas investirão mais, criarão mais empregos e serão menos tentadas a se expandir no exterior. Pode ser, mas muitos economistas duvidam. Não faltam aqueles que preveem que, com a redução da arrecadação, o déficit público dos EUA, que já é calculado em US$ 20 trilhões, terá um aumento de US$ 1,4 trilhão nos próximos dez anos, e essa carga recairá sobre as mais novas gerações.

O que nos interessa é como o Federal Reserve Board (Fed) reagirá. Com o aquecimento da economia americana este ano, já era previsto um aumento da taxa básica de juros (benchmark – agora em 1,5% — m meados deste mês. Se não for elevada agora, os analistas projetam uma taxa de 2% no início de 2018.

Isso, por si só, levará a uma fuga de capitais para o mercado americano e terá repercussões nos mercados de todo o mundo. A questão é saber se depois do corte de impostos de Trump — que ainda precisa ser conciliado com proposta semelhante em tramitação na Câmara dos Representantes — qual será a política a ser adotada pela autoridade monetária americana.

É verdade que Trump, contrariando a expectativa, nomeou Jerome Powell como “chairman” do Fed no lugar de Janet Yellen. Não se sabe se Powell, que assume em 2018, é ou não adepto da política econômica expansionista patrocinada pelo presidente americano. Pelas previsões normais, o Fed teria de elevar ainda mais os juros se a cotações das ações na Bolsa de Nova York dispararem nos próximos meses.

Previsivelmente, menos aplicações financeiras e investimentos tendem a vir para o Brasil partindo de empresas e investidores americanos, abrindo ainda mais espaço para os investimentos da China e talvez da União Europeia (UE), se finalmente, o Mercosul conseguir firmar um acordo de livre comércio com o bloco europeu. Há uma chance de que isso ocorra também em meados de dezembro, durante reunião da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Buenos Aires.

Em suma, este mês de festas começa com definições no campo externo que podem afetar diretamente a política econômica brasileira de 2018 em diante.


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