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Trava até no plano externo

Klaus Kleber Há meses (anos?), lemos a notícia de que um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) está às vésperas de sair. É o que se […]

23/04/18

Klaus Kleber

Há meses (anos?), lemos a notícia de que um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) está às vésperas de sair. É o que se dizia até uma semana atrás. Mas sobreveio a suspensão de importação de carne de frango pela UE, alegando razões sanitárias, abrangendo a maioria dos frigoríficos nacionais que exportam o produto para o mercado europeu.

O governo aceitou uma auditoria europeia dos frigoríficos brasileiros, depois da Operação Carne Fraca, mas não adiantou nada. As divergências entre os dois lados sobre a exportação do produto chegaram um ponto em que, segundo foi anunciado, o governo brasileiro vai recorrer contra a decisão junto a Organização Mundial de Comercio (OMC).

É uma situação complicada e o ministro da Agricultura já afirmou que se o Brasil concordasse com uma sobretaxa imposta pela UE sobre o frango, as exportações do produto, já sujeitos a cotas, seriam liberadas. A questão que se coloca, no entanto, é se há mesmo disposição do bloco europeu de firmar um acordo com o Mercosul, vencendo o temor da concorrência de produtos agropecuários procedentes do Brasil e da Argentina.

O fato é que, depois de sucessivas reuniões, como a última entre a EU e o Mercosul, realizada em Assunção, em fevereiro, ganham força os interesses agrícolas da França e pecuários da Irlanda, que vê na UE um mercado cativo para sua produção de carne, além de outras resistências aqui e ali.

Mais uma vez são adiadas as projeções de que de que as transações comerciais entre o Mercosul e a UE possam dobrar nos próximos dois anos, com a assinatura de um pré-acordo, pelo menos, o que ainda não aconteceu.

Os analistas mais frios afirmam que as pendências existentes não cessarão até a realização de eleições brasileiras. Somente depois de o Brasil ter um novo governo eleito, é que as negociações a sério entre o Mercosul e a EU podem prosperar.

Como se vê, tanto no plano interno como externo, tudo passou a depender de qual será o próximo governo do País. A diplomacia brasileira vive seus dias mais frustrantes. Convém lembrar que, de outro lado, os EUA se opõem à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A preferência de Washington é pela admissão da Argentina de Macri naquele grupo.


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