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“Taboo”, uma boa série para quem é fã de mistério, espionagem e História

Claudia Bozzo Para quem gosta de procurar pérolas para download na internet, há uma à disposição: a primeira temporada da série da BBC One, chamada “Taboo”, com a chancela de […]

07/05/17

Claudia Bozzo
Para quem gosta de procurar pérolas para download na internet, há uma à disposição: a primeira temporada da série da BBC One, chamada “Taboo”, com a chancela de qualidade de Ridley Scott e o total empenho de Tom Hardy, o ator que interpretou “Mad Max, Estrada da Fúria”, de 2015 e dirigido por George Miller.

Embora Hardy entre mudo e saia calado em “Mad Max”, em “Taboo” ele tem uma presença forte, marcante, misteriosa e densa. Sua dedicação ao projeto foi tanta que trouxe para o roteiro o pai, Chips Hardy, participante de outra interessante série britânica, “Peaky Blinders” (2013), sobre o submundo das máfias e apostadores.

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As duas séries passam-se no início do século 19 e mostram uma Londres lamacenta, suja, infestada de ratos e atormentada por gângsters. Jornais britânicos noticiaram que o entusiasmo de Hardy foi tão grande que a série o deixou, até agora, com uma dívida de dois milhões de libras.

Um crítico britânico queixou-se da “moda” que aflige os espectadores de séries no império, com histórias que mais trazem dúvidas que respostas. Mas o tom enigmático é mais um ponto de interesse, e a grande curiosidade é saber quem é e o que pretende esse misterioso James Delany (Tom Hardy), do qual se sabe apenas que regressou em 1814, de um período de 12 anos na África, para receber a herança deixada pelo pai, dono de um império naval e que traz em um saco de couro uma grande quantidade de diamantes.

O elenco inclui atores de primeira linha, como Tom Hollander, (“Piratas do Caribe”, 2006 e 2007), Jonathan Pryce (“Brazil, o Filme”, 1985), Oona Chaplin (filha de Oona e neta de Charles Chaplin), Michael Kelly (o fiel assessor o presidente Frank Underwood em “House of Cards”) e Franka Potente (“Corra, Lola, Corra”, 1998).

A trama vai-se revelando aos poucos e é um prato cheio para quem gosta de história e economia. O misterioso Delany revela-se um determinado empreendedor ao confrontar o império britânico e a poderosa Companhia das Índias Orientais, a entidade comercial que detinha o monopólio da venda do chá nas colônias e ao mesmo tempo, tentar atrair os Estados Unidos para sua trama.

A Companhia consolidou sua presença em metade do comércio mundial, em mercados que incluíam algodão, seda, chá, ópio, corante índigo, sal e salitre. Criada por Carta Real da Rainha Elizabeth I em dezembro de 1600, comerciantes ricos e aristocráticos detinham as ações da companhia. Inicialmente, o governo não possuía ações e tinha apenas controle indireto.

Os conflitos com a França, que possuía a Companhia das Índias Orientais Francesa aparecem em “Taboo” em diálogos de personagens contra a França e os franceses. Depois de derrotar indianos, a companhia foi aumentando gradualmente a extensão dos territórios sob seu controle. Chegou a governar grandes áreas da Índia. Mas apesar de todo poder, e da ajuda frequente do governo britânico, os problemas financeiros resultaram na sua dissolução em 1874.

Na série, Delany-Hardy recebe como herança uma propriedade no Oeste do Canadá e vê ali a possibilidade de criar uma rota para a China. E dedica-se com vigor, crueldade e alianças improváveis, a conseguir um monopólio na importação de chá e outras commodities. Torna-se inimigo natural da poderosa Companhia e do governo britânico ao mobilizar uma série de alianças e uma rede de informantes que dariam inveja a qualquer mandatário atual.

Em paralelo, há a história de amor entre os dois irmãos (Delany e Oona, filhos do mesmo pai) e mistérios como a origem da mãe de Delany. A trama é apimentada pelo incesto, exorcismos, histórias de escravidão e tráfico, espiões de todos os lados e violência.

O melhor de tudo é que a segunda temporada já está anunciada para este ano. E quem não fizer o download pela internet precisa torcer para que seja exibida em algum canal a cabo. Mesmo porque a BBC no Brasil foi sumariamente eliminada, depois de ter sido abatida aos poucos. Uma pena, pois foi o canal que trouxe séries  sobre nosso planeta e dramas como “Wallander”, “Luther”, “Call the Midwife”, e muitas outras, incluindo séries australianas.

Sem contar o divertido programa do Graham Norton, agora só pelo You Tube. Podemos ver algumas delas no Netflix, como “River”, “Interland”, “Whitechapel” “The Crown” e vale esperar que as novas sejam lá exibidas. Já o programa de automobilismo “Top Gear”, comandado pelo destemperado Jeremy Clarkson, foi parar no serviço de streaming da Amazon, com o nome de “The Grand Tour”. Mas perdeu parte da graça, dispersa em sonhos de grandiosidade.


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