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São Paulo, a saída para a candidatura de Meirelles?

Klaus Kleber A piada que corria era de que o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles tinham chegado a um acordo. Se Temer tivesse 3% nas pesquisas e […]

19/03/18

Klaus Kleber

A piada que corria era de que o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles tinham chegado a um acordo. Se Temer tivesse 3% nas pesquisas e Meirelles não passasse de 2%, o presidente seria candidato à reeleição. Se Meirelles, no entanto, chegasse primeiro aos 3% e Temer estacionasse em 2%, o ministro sairia candidato a presidente.

A piada “de bastidor” perdeu o sentido. O Estadão dá em manchete no domingo que Temer já decidiu disputar a reeleição e avisou a aliados. Incrível, mas pode ser verdade. O presidente, duas vezes denunciado pela Justiça e que pode ser denunciado pela terceira vez, quer ser mesmo figurar na urna eletrônica e anuncia sua ambição justamente no fim de semana depois do chocante assassinato da vereadora Marielle Franco, que pode ser o começo da desmoralização da intervenção federal na área de segurança no Rio — a grande jogada eleitoral do inquilino do Jaburu.

E como fica Meirelles nessa história? A Folha de S. Paulo, também de domingo, comenta no Painel que o ministro da Fazenda está em busca de alternativas para viabilizar o seu projeto eleitoral. Ele tem de sair do PSD, partido ao qual nominalmente pertence, mas cujo donatário, Gilberto Kassab, de olho em seus próprios interesses, apoia o governador Geraldo Alckmin como candidato do PSDB para presidente.

Meirelles poderia ir para o MDB, mas nesse caso, diz o Painel, teria de esperar meses para saber se será o candidato do partido ao Planalto, já que Temer tem até agosto para registrar a sua candidatura e Meirelles tem de sair da Fazenda até 7 de abril. Como Temer já se coloca como candidato, perguntei a meu guru político qual seria a saída para Meirelles a essa altura?

— Fácil, me respondeu ele. Meirelles sai já da Fazenda em abril e se filia ao MDB, mas só tem de mudar de objetivo eleitoral. Em vez de candidato a presidente, o ministro deveria anunciar que vai ser candidato ao governo de São Paulo para enfrentar João Doria, que será candidato ao Palácio Bandeirantes por um PSDB dividido, depois de 15 meses fantasiado de prefeito da cidade de São Paulo.

Tem uma certa lógica. Henrique de Campos Meirelles é goiano de Anápolis e filho de um antigo interventor em Goiás, estado pelo qual se elegeu deputado, sem nunca ter exercido o mandato, aceitando, em lugar disso, ser presidente do Banco Central (BC) durante o governo Lula. Mas é muito mais ligado a São Paulo do que ao seu estado natal, embora não se saiba se seu título eleitoral é de Goiás ou de São Paulo. Ele se informou engenheiro em São Paulo e aqui morou décadas, como presidente do Bank of Boston. Por sinal, quando deixou a presidência do BC, veio de Brasília direto para a capital paulista.

Se Meirelles fizer essa opção e o MDB topar – e o fato de o ministro ter muito dinheiro é um fator importante — ele poderia manter-se politicamente leal à candidatura Temer a presidente. Seu apelo eleitoral, é claro, é o de ter sido ele e sua equipe, não exatamente Temer, os responsáveis por baixar a inflação, os juros e procurar colocar as contas do País em ordem. E São Paulo, por enquanto, tem sido um dos Estados em que a economia dá sinais mais fortes de recuperação.

Meu guru não faz prognósticos eleitorais. Mas garante que, se Meirelles conseguir chegar ao segundo turno com Doria, receberia em massa os votos do PT.


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