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Sair ao Acordo de Paris, uma ideia idiota

O noticiário dos últimos semanas tem sido invadido por matérias sobre o que Jair Bolsonaro faria no governo, se for eleito no 2º. turno no próximo domingo, como vaticinam os […]

22/10/18

O noticiário dos últimos semanas tem sido invadido por matérias sobre o que Jair Bolsonaro faria no governo, se for eleito no 2º. turno no próximo domingo, como vaticinam os institutos de pesquisa. Entre as ideias mais esdrúxulas do capitão reformado está a de que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris sobre o Clima, o qual afetaria a soberania nacional, como foi noticiado.

Seria essa medida para agradar a bancada ruralista? Esta já teria conseguido de um eventual governo Bolsonaro a promessa de fundir os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o que, por si só, seria temerário. Mas, ao que se saiba, a bancada do boi não pediu nada na área diplomática.

Se não nasceu a cabeça do próprio candidato, a ideia da saída do Acordo de Paris teria sido soprada por alguém muito tacanho em matéria de segurança nacional ou que julgue que Bolsonaro projetaria o País se imitasse o gesto do presidente Donald Trump em meados de 2017, quando anunciou que os EUA abandonarão o Acordo assinado por seu antecessor Barack Obama.

A saída deve ocorrer a partir de 2020 e o atual ocupante da Casa Branca justificou sua decisão alegando que o Acordo seria contrário aos interesses econômicos dos EUA, nada mencionando sobre segurança nacional. Aliás. se houvesse alguma preocupação nesse sentido, o Acordo não teria hoje 196 países signatários firmes, incluindo a Rússia, a China e até a Coreia do Norte.

Seria absurdo pensar que o Departamento de Estado estaria pressionando por uma coisa desse tipo parte do Brasil. Como se sabe, a decisão de Trump continua muito controversa nos EUA. Há Estados americanos, sob a liderança da Califórnia, que não deram a mínima para a postura de Washington e continuam empenhados em cumprir as recomendações do Acordo para evitar bruscas mudanças climáticas.

Por sinal, o Sul dos EUA tem sido assolado este ano por violentos tufões e tempestades este ano, o que reforçou o movimento a favor das medidas preventivas constantes do Acordo.

É importante notar que, depois de Trump ter retirado os EUA do Acordo, os governos da Nicarágua e da Síria, que não subscreveram o protocolo original em 2015, aderiram formalmente a ele no ano passado. Com isso, os EUA se tornaram o único país do mundo fora do Acordo do Clima de Paris.

Por que razão o Brasil renegaria agora seu apoio a tão importante compromisso internacional, em desacordo com as nossas melhores tradições diplomáticas?

Afinal, se o governo viesse fazer essa besteira, o Brasil ficaria mal com o mundo. Não só isso predicaria um aproximação do País e do Mercosul com os países sul-americanos pertencentes ao Acordo do Pacífico (Peru e Chile), como poderia criar mais um entrave para um acordo abrangente com a União Europeia (UE), como as autoridades brasileiras vêm perseguindo há anos.


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