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Qual será a próxima biografia de um cantor britânico?

Agora que a trilha está aberta, e o sucesso chega acompanhado de muitos cifrões, ninguém segura a onda de biografias cinematográficas de cantores ingleses. Pois não é que os britânicos […]

10/06/19

Agora que a trilha está aberta, e o sucesso chega acompanhado de muitos cifrões, ninguém segura a onda de biografias cinematográficas de cantores ingleses. Pois não é que os britânicos tomaram conta de uma área que sempre foi domínio dos americanos? Na verdade, há um bom tempo seus documentários sobre o setor mostram sua competência.

A fama veio a galope com “Bohemian Rhapsody” (2018), e seu Oscar, filme que o britânico Dexter Fletcher finalizou, após a demissão do americano Bryan Singer (ele havia dirigido em 1995, “Os Suspeitos”), por envolvimento em um escândalo de abuso sexual de menores. Seu nome não foi mencionado em premiação alguma – e foram muitas.

Aí Fletcher recebeu o convite para filmar “Rocketman” (2019), a biografia de Elton John (o cantor e compositor é o principal diretor executivo), que está recebendo sua parcela de aplausos em todo mundo e batendo recordes de bilheteria. Em São Paulo, está em 33 cinemas (informação do site IMDb) e recebeu no tomatômetro (índice de popularidade do site Rotten Tomatoes, 90% de aprovação dos críticos e 88% do público).

O diretor Dexter Fletcher é um ator dos mais atuantes, embora seja duvidoso que alguém consiga se lembrar dele. Começou a atuar aos 10 anos e em 1998 trabalhou em “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, o filme que levou Guy Ritche ao pódio dos grandes diretores. Fletcher está até nos principais cartazes do filme.

“Rocketman” tem uma abordagem diferente do filme sobre Freddie Mercury, com uma linguagem mais poética, condução mais sutil em uma história onde as músicas ajudam a contar a trajetória do pequeno gênio que chegou ao topo das paradas musicais em todo mundo. O elenco de apoio tem ótimos atores, como Richard Madden, no papel de um agente pelo qual Elton John se apaixona. Ele está em uma das melhores séries em exibição na Netflix, “Bodygard” como segurança de uma ministra britânica.

O interessante é a sempre presente influência norte-americana na formação dos grandes músicos britânicos, como a idolatria por Elvis Presley, e a reviravolta que isso provocou. Por exemplo, Holywood sempre foi a meca dos musicais, e o público de uma certa idade não conseguiu escapar de “Era uma vez em Hollywood” (1974) e seus subprodutos. Mas depois do chatíssimo “La Land, Cantando Estações” (2016) ou tentativas como a terceira (ou quarta?) filmagem de “Nasce uma Estrela” (a mais recente em 2018), o eixo mudou.

Já faz algum tempo que os britânicos, povo que gerou os Beatles, os Rolling Stones, o U2, Eric Clapton, David Bowie, e tantos, tantos mais, além de Freddie Mercury e Elton John, comprova sua competência no ramo. Um dos melhores filmes sobre música, que mostra a fase do “glam rock”, personificado por um cantor que é um mix de David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed, revolucionário, irreverente, dirigido pelo californiano Todd Haynes, foi “Velvet Goldmine” de 1988, com um elenco de dar inveja a qualquer cineasta: Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers e Christian Bale. Haynes foi o mesmo diretor de “Eu não Estou Lá” (2007) sobre Bob Dylan.

O neozelandês Richard Curtis, roteirista de ‘Quatro Casamentos e Um Funeral”, o filme que trouxe o cinema britânico de volta às grandes bilheterias, também dirigiu “Piratas do Rock” (2009) e promete para breve mais filmes sobre música. E como esquecer “Ainda Muito Loucos”, de 1998, dirigido por Brian Gibson, já falecido, sobre um vocalista muito “estrela”, interpretado pelo ótimo Bill Nighy e a ideia de uma volta aos palcos, vinte anos depois de encerrada a carreira do grupo. Gibson foi uma grande perda. É dele o filme de 1993, Tina – A Verdadeira História de Tina Turner com Angela Basset.

A passagem dos britânicos – e nem mencionamos os filmes sobre os Beatles, com os Beatles – pela cena musical é revolucionária, no mínimo. E o bom gosto na seleção de trilhas sonoras, seja qual for o filme, notável. É melhor esquecer que eles aprontaram a grande tolice do século, o Brexit. Melhor lembrar do Monthy Pyton, de Shakespeare de Oscar Wilde… e de tantos grupos de sucesso.


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