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Política econômica de uma nota só

Klaus Kleber Muita gente tem notado – e não só o ex-presidente Lula, em sua entrevista para a Folha de S. Paulo – que o noticiário político-econômico gira, quase que […]

29/04/19

Klaus Kleber

Muita gente tem notado – e não só o ex-presidente Lula, em sua entrevista para a Folha de S. Paulo – que o noticiário político-econômico gira, quase que exclusivamente, em torno da reforma da Previdência. A não ser as palhaçadas em torno o filhos de Bolsonaro, o astrólogo Olavo de Carvalho e o vice-presidente Hamilton Mourão, não adianta trocar de canal ou procurar outras  notícias ou opiniões diferentes das posições oficiais.

Todos falam compulsivamente da reforma a Previdência, um tema monocórdio, que será a salvação do País, melhorando a imagem do Brasil no exterior e fazendo os capitalistas daqui abrirem suas burras para também investir.

Enquanto isso, o desemprego no País continua subindo.  Na pesquisa do Seade/Dieese, que leva em conta o desemprego aberto (quem procura emprego) e o oculta (quem já desistiu de procurar emprego ou não se anima a tanto), já chegou à taxa de 16,5%. Isso em São Paulo, ex-locomotiva do Brasil. No resto do País, a situação é seguramente pior, se aplicados os mesmos critérios da pesquisa paulista.

É enganoso dizer também que o País está quebrado ou que é um avião em pleno voo que está ameaçado de cair se não aprovada a reforma da Previdência, que ninguém pode dizer com segurança quando acontecerá.  Pode ser que o avião argentino se espatife no chão por falta de recursos externos, mas o brasileiro, com mais de US$ 380 bilhões de reservas nos hangares americanos, rendendo muito menos do que o governo paga pelas suas dívidas interna e externa.  

Por que o governo não pega parte desses recursos, US$ 30 bilhões, digamos, e não cria um fundo de financiamento à infraestrutura, incluindo moradias populares em lugares seguros, não em encostas de morros? Muito simples: o ministro Paulo Guedes jamais consentiria isso, porque os políticos relutariam ainda mais em aprovar a sacrossanta reforma da Previdência.

E tem a inflação. Com dinheiro entrando mais, cresceriam as pressões inflacionárias e o governo prefere uma demanda fraca para segurar a inflação e não está nem aí com o dólar a quase R$ 4,00.  Se a inflação fosse pressionada, o governo já teria feito uma intervenção no mercado de câmbio. Não o faz agora porque a pobreza aumentando, ou seja, com um ritmo lentíssimo de atividade econômica, isso serve de trava para os preços.  

O único grupo que dá medo ao governo é composto pelos caminhoneiros. E foi por causa deles que o Ministério da Infraestrura, Tarcísio Gomes de Freitas, anunciou obras de melhoria de rodovias, como a pavimentação da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), no rio Tapajós, segundo daí aos portos do Pará.

O ministro falou também em estudos para construir a Ferrogrão, uma estrada de 933 km na região Amazônica, ligando regiões produtores do Centro Oeste a Miritituba.  E o restante das obras paradas em todo o País, as estradas esburacadas, e a Ferrovia Leste-Oeste? Reconheça-se que o Ministério da Infraestrutura é o único que está fazendo alguma coisa, privatizando linhas de transmissão, aeroportos, a Ferrovia Norte-Sul, mas é muito pouco para começar a desmobilizar o exército de 13 milhões de desempregados, até aqui calados.


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