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Pode vir aí nova intervenção do BC no câmbio

Klaus Kleber Um amigo que pretende viajar para o exterior no início de 2018 está muito preocupado com a alta recente da cotação do dólar, que fechou em R$ 3,295 […]

10/12/17

Klaus Kleber
Um amigo que pretende viajar para o exterior no início de 2018 está muito preocupado com a alta recente da cotação do dólar, que fechou em R$ 3,295 (venda, no mercado comercial) na última sexta-feira, dia 8. Ele não sabe se compra as verdinhas agora ou se deixa para depois e me pergunta o que deve fazer.

Bem sei que qualquer palpite sobre câmbio é extremamente arriscado, mas para não deixar meu amigo sem resposta, disse a ele que a tendência é que a cotação do dólar continue subindo, mas não está excluída a hipótese de que o Banco Central (BC) volte a intervir no mercado se a cotação da moeda americana passar muito de R$ 3,30.

A subida do dólar nos últimos dias tem sido atribuída às difíceis negociações parlamentares para uma problemática aprovação da reforma da Previdência. Na minha opinião, a insistência dos operadores nesse tema é mais para inglês ver. Poder ser que se a reforma for aprovada ainda este ano, em primeira votação na Câmara, isso venha ter alguma influência, principalmente sobre a cotação das ações na Bolsa.

Quanto ao câmbio, o efeito é duvidoso e se houver repercussão pode ser somente a curtíssimo prazo. Independentemente de qualquer reforma, há quem diga que, com a decisão do Copom de baixar taxa básica de juros a 7% ao ano, podendo cair mais no princípio de 2018, há maior procura de dólar pelas empresas para fazer hedge (proteção).

O fato inconteste é que a moeda americana está se valorizando nos mercados internacionais. O noticiário dá conta de que o dólar subiu diante do euro e do iene na última semana com a divulgação da taxa de desemprego baixíssima nos EUA (4,1% em novembro, a uma taxa anualizada). Além disso, a aprovação pelo Senado do corte de impostos proposto por Trump também influi para reforçar a moeda americana. E. para completar, espera-se que, em sua reunião nesta semana (dias 13/14), o Federal Reserve (Fed) aumente a sua taxa de juros (benchmark).

Isso deve ser levado em consideração, mas não se deve esquecer que o câmbio flutuante, que seria um dos pilares da política econômica ortodoxa, nunca foi para valer no Brasil. Sendo assim, o BC pode intervir no mercado não só para conter pressões inflacionárias, mesmo com o INPC devendo fechar o ano abaixo de 3%.

Há outro fator. O BC não desconhece que muitas empresas brasileiras estão endividadas em dólar. Este não é só o caso da gigante Petrobrás. Segundo a Folha de S. Paulo (10/12), metade do endividamento das empresas brasileiras está concentrado em 57 companhias e 40% da dívida desse grupo é em dólar. Com o crédito interno trancado pelos bancos, as empresas foram buscar dinheiro lá fora e agora estão expostas a uma maior cotação do dólar. Algumas podem quebrar, se o BC deixar como está para ver como é que fica.

De acordo com essa lógica, não faltariam motivos para o BC intervir no mercado de câmbio, utilizando os surrados “swaps” cambiais.


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