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Perdas e ganhos com alta do petróleo

Klaus Kleber Não há motorista que não esteja reclamando das sucessivas remarcações do preço da gasolina nos postos, como resultado da política da Petrobrás de reajustar o preço dos combustíveis […]

21/05/18

Klaus Kleber

Não há motorista que não esteja reclamando das sucessivas remarcações do preço da gasolina nos postos, como resultado da política da Petrobrás de reajustar o preço dos combustíveis de acordo com as variações da cotação internacional do petróleo. Com o petróleo a US$ 80 o barril, podendo subir mais com as turbulências no cenário externo, o jeito é economizar e colocar mais álcool hidratado no tanque, quando possível.

Outro lado ruim é a pressão sobre a inflação, embora hoje em dia os preços dos combustíveis não seja mais um componente explosivo como no passado. O consumo em geral está em nível ainda fraco e os comerciantes pensam duas vezes antes de reajustar os preços.

Todos falam em estimular a economia, mas, com os governos em todos os níveis à míngua de recursos, nenhuma autoridade está falando em reduzir a pesadíssima carga tributária sobre os combustíveis. Sobre a gasolina, por exemplo, incidem ICMS, PIS/Cofins e Cide.

De qualquer modo, petróleo em alta e o dólar beirando os R$ 4,00 explicam a cautela do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que, como se viu, preferiu deixar a taxa básica de juros em 6,5%.

Há, porém, um aspecto positivo nessa história. Sob o aspecto cambial, o Brasil sai ganhando com a alta do petróleo. As exportações brasileiras de petróleo em bruto chegaram a US$ 7,187 bilhões de janeiro a abril deste ano, mais de US$ 1 bilhão a mais que no mesmo período de 2017 (US$ 6,148 bilhão), e podem engordar ainda mais com a disparada das cotações do produto.

Para quem se lembra do desastre que foi a alta do petróleo nos anos de 1970/1990, é um alívio constatar que o Brasil é hoje superavitário no comércio de petróleo. De fato, segundo dados oficiais, as importações brasileiras de óleo em bruto foram de US$ 1,335 bilhão nos primeiros quatro meses. Se a isso somarmos as importações de óleo diesel, fuel oil, etc., que foram de US$ 2,421 bilhão, temos que o gasto foi de US$ 3,756 no período considerado. Temos aí, portanto, um saldo de US$ 3,431 bilhões.

Para a Petrobrás, altamente endividada em dólar, uma receita bem maior da exportação de petróleo é uma mão na roda. É bom não esquecer também que o fato de o Brasil ter se tornado um exportador líquido de petróleo, favorecendo o saldo da balança comercial, também reforça a posição do País diante da revoada de aplicações financeiras rumo ao mercado americano para aproveitar os juros oferecidos pelos bônus do Tesouro americano.

O duro, naturalmente, é ter de tirar mais dinheiro da carteira nos postos de gasolina…


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