X

Papo sobre privatização

Klaus Kleber Neste período que antecede o segundo turno, um dos temas mais discutidos é a privatização como instrumento para redução do déficit das contas públicas. O candidato Fernando Haddad […]

15/10/18

Klaus Kleber

Neste período que antecede o segundo turno, um dos temas mais discutidos é a privatização como instrumento para redução do déficit das contas públicas. O candidato Fernando Haddad já se declarou contrário à privatização de setores considerados estratégicos, como energia. Se for eleito, pode vir a flexibilizar essa posição. Contudo, o que hoje atrai mais atenção é a postura sobre essa questão que seria adotada por Jair Bolsonaro, se sair vitorioso da disputa presidencial.

O capitão reformado já indicou para um super-Ministério da Fazenda o economista Paulo Guedes, que defende uma privatização agressiva, não excluindo nenhuma estatal. Já Bolsonaro, embora se diga a favor de uma política econômica liberal, com redução do tamanho do Estado na economia, já afirmou que é contra a transferência para o setor privado da Eletrobrás, particularmente das usinas geradoras. O capitão reformado também já disse que não aceitará “vender o Brasil para a China”.

Parece que, sob esse aspecto, Bolsonaro expressa o ponto de vista de setores militares mais nacionalistas. O general da reserva Oswaldo Ferreira, que foi um dos coordenadores do plano de governo de Bolsonaro e é cotado para ser ministro dos Transportes (ou da Infraestrutura), disse à Folha de S. Paulo (14/10) considerar que “o refino e a distribuição de petróleo possam ficar com a iniciativa privada. O caso da Eletrobrás precisa ser conversado”.

A prevalecerem as ideias de Guedes, não só as distribuidoras de energia ainda sob controle da Eletrobrás deveriam ir a leilão, mas também as usinas de geração, que seriam mais capazes de atrair capitais internacionais. Há, no entanto, preocupação quanto à participação chinesa. Como se recorda, por meio da estatal State Grid, os chineses já ficaram com boa parte das linhas de transmissão de energia elétrica e a China tem caixa para investir pesado em países emergentes, como certamente vai continuar fazendo.

Uma solução seria recorrer ao uso da “golden share”, que pode servir de garantia a intervenção do Estado, se necessário. Dificilmente, no entanto. isso aplacaria os temores de os chineses abocanharem algumas usinas hidrelétricas.

Uma alternativa, lembrada por uma amiga, é impedir que empresas estatais de outros países tomem parte em privatizações no Brasil, o que excluiria as poderosas empresas chinesas. O problema que não é só estatais da China investem no Brasil. Para não ir muito longe, basta lembrar a participação da Statoil, estatal da Noruega, nos leilões do pré-sal;

Enfim, como disse o general Ferreira, é preciso muito papo sobre privatizações e pode bem ser que um eventual governo Bolsonaro não seja tão liberal assim na economia.


Todos os direitos reservados, 2018.