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Ouvir rádio pela internet, um oceano de opções

Claudia Bozzo Para quem gosta de rádio, a internet é uma espécie de “armazém de deus”, como o personagem central de “O Último Policial”, série alemã apresentada pelo GlobosatHD nos […]

17/11/13

Claudia Bozzo

Para quem gosta de rádio, a internet é uma espécie de “armazém de deus”, como o personagem central de “O Último Policial”, série alemã apresentada pelo GlobosatHD nos sábados à noite, define a rede mundial. O policial que protagoniza a série passou os vinte últimos anos em estado de coma, e acorda em um mundo completamente mudado, ao qual precisa se adaptar. Entre outras coisas, à internet e suas facilidades, por exemplo. A série tem de interessante a trilha sonora, que lembra sucessos de vinte anos atrás.

E música é um dos grandes prazeres que podemos desfrutar, com a infinita variedade de emissoras que aplicativos como o “Tune in” nos oferecem, por exemplo. Além de noticiários e a possibilidade de colocar em dia nossas aulas de idiomas. Que delícia ouvir os apresentadores da BBC nas sete opções oferecidas, entre elas o World Service, que quando criança só se podia ouvir naqueles rádios imensos que com muita estática e interferências, nos levavam para outros países. Não sei dos detalhes técnicos daquela “operação” de outrora. Sei apenas que era mais fácil ter acesso a essas emissoras na praia. Um avô interessado é insubstituível na formação de uma pessoa, e o meu era desse tipo. Veio dele o interesse pela ópera, pois de sua poltrona favorita conduzia os netos às maravilhas dos grandes compositores, de preferência os italianos, Verdi, Monteverdi, Scarlatti, Puccini, Mascagni. Claro que criou alguns traumas em netos, que se sentiam obrigados a curtir algo que para eles era insuportável!

Sobrevivemos todos e o amor à música nunca nos abandonou, variando apenas o gênero.

Essa época de ouvir o mundo lá fora a partir de um rádio volta agora à toda com esses fantásticos aplicativos. Podemos pelo “Tune in”, selecionar o país, o gênero musical, o tipo de programa que queremos ouvir, de uma lista interminável – 70 mil emissoras, anuncia o site de abertura do site – que inclui todos os continentes. Sem contar a forma de utilizar o aplicativo – celular, I Pads, computadores, TV, e outros.

Nesse mar de possibilidades, é possível pescar preciosidades. Como a BBC e suas opções. E a também britânica, cuja função é popularizar a música clássica, a simpática Classic FM, de Londres, com uma seleção de clássicos populares, visando um público interessado em música de qualidade, mas sem o rigor do connaisseur. A emissora tem até mesmo inserções, denominadas “tudo o que você queria saber…”, explicando, por exemplo, termos usados no meio, ou dando informações sobre compositores, épocas e intérpretes. O próprio site da emissora http://www.classicfm.com/ é bastante didático e informativo e permite que compremos peças apresentadas nos vários programas, pelo “I tunes”. Uma coisa meio sem graça para alguns, mas útil para outros.

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Os apresentadores são interessantes e interessados, e entre os que fizeram parte da equipe inicial estão o erudito Stephen Fry, que pode ser visto em um podcast do  programa “Charlotte Green’s Culture Club”, falando sobre o centenário dos compositores Giuseppe Verdi e Richard Wagner, com sua conhecida e exuberante cultura. O programa é apresentado aos domingos, e o horário, duas horas a mais, devido ao nosso horário de verão, pode ser consultado no site.

O domingo de manhã tem uma atração que é conhecida de quem possuía o canal People & Arts e curtia o divertido e tolo “Changing Rooms” (“Minha Casa, sua Casa”),  provavelmente a origem de todos os programas de decoração que vieram depois: é o decorador de interiores  Laurence Llewelyn-Bowen, que apresenta sua seleção musical.

A emissora foi criada exatamente para divulgar clássicos populares, inspirada em outras emissor  as do tipo light. Ao ocupar seu espaço no dial, antes do lançamento, transmitiu gravações de pássaros, deixando envolto em total mistério o tipo de som e estilo a ser apresentado, até seu lançamento no dia 7 de setembro de 1992. De início com vários sócios, a Classic FM hoje pertence à Global Radio, o maior grupo de emissoras do Reino Unido.

A ideia de popularizar a música clássica é sempre bem-vinda e essa proposta da Classic FM influenciou, segundo críticos, até mesmo a seleção de músicas da BBC Radio 3, uma emissora impecável e de extremo bom gosto. Pela programação noturna, podemos ver a abrangência global da Classic FM, para o qual são enviadas via e-mail, mensagens dos mais inesperados países. Um dos apresentadores do programa noturno é o simpático Nick Bailey, há 20 anos na emissora, e que começou sua carreira aos 19 anos, como apresentador de noticiários na famosa Radio Caroline, da década de 1960, a rádio pirata retratada no filme “Os Piratas do Rock” de 2009, que tem os excelentes atores Philip Seymour Hoffman e  Bill Nighy. Quando as piratas foram tornadas ilegais, Nick imigrou para a Austrália, onde trabalhou uma radio de Brisbane. De lá para outros empregos, acabou transformando-se na primeira voz a apresentar a nova rádio. Há muitos destaques, como o “Saturday Night At The Movies” com Howard Goodall, dedicado às trilhas sonoras que fizeram história.

Mas falar de uma rádio só em meio a tantas opções é quase covardia. Pois o bom é isso: em algum canto do mundo tem uma emissora de rádio que é a sua cara. É divertido passear pelas rádios argentinas, ou peruanas, italianas, japonesas,francesas e tudo mais que sua imaginação exigir, e seu conhecimento de idiomas trouxer boas informações. É demais ouvir uma transmissão de Bangcoc ou de algum país do Leste europeu! Babel ao seu alcance, só com um cliques. É pouco?


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