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Os primeiros, sim, eram bons. Isso vale para “Mad Max” e “O Exótico Hotel Marigold”

Claudia Bozzo O anterior era melhor. Essa constatação vale para dois filmes que estão em cartaz e sobre os quais gastou-se muita tinta e papel, nos últimos dias: “Mad Max, […]

17/05/15

Claudia Bozzo
O anterior era melhor. Essa constatação vale para dois filmes que estão em cartaz e sobre os quais gastou-se muita tinta e papel, nos últimos dias: “Mad Max, Estrada da Fúria” e “O Exótico Hotel Marigold 2”.

Sobre o primeiro, até era de se esperar. Mas a impressão deixada pelo carismático e insuperável Mel Gibson, e a inovadora fórmula encontrada por George Miller, ao narrar, em 1979, o fim dos tempos – e a crise do petróleo – com toda aquela fúria e competência, ficaram marcados. Ainda mais depois de ver, provavelmente no Netflix, a até hoje hipnótica, sequência inicial do primeiro “Mad Max”, era quase inevitável a curiosidade pela retomada do tema, atiçada pela eficiente publicidade.

Melhor ter ficado só na imaginação. Que tempo perdido. O quarto filme da franquia, que foi anunciado como um novo começo, tem duas longuíssimas horas de piruetas, explosões e nonsense. Sem contar que, em plena crise de abastecimento em casa, a gente vê um futuro onde o dono de tudo e de todos despeja um pouco de água aos sedentos com a recomendação: “não bebam muita água vocês podem tornar-se dependentes”. Além do mais, impossível ver o filme, em 3D, sem duas garrafas de água ao lado, pois foi rodado no inclemente deserto da Namíbia. A sensação é de sair empoeirada do cinema.

E o novo Max, então? Tom Hardy, visto (mas não notado) anteriormente em “A Origem”, por exemplo, bem que poderia ter ficado em casa, que sua falta não teria nem sido percebida. Inglês, Hardy não tem um milésimo da presença de Mel Gibson. Isso não se pode dizer de Charlize Theron, uma força à parte. Mas também conta o fator de ser uma atriz com bons filmes no currículo e sólidas interpretações. Interessante no elenco a presença de Nicholas Hoult, no papel de Nux. Ele, que em 2002, aos 13 anos, fez “Um Grande Garoto”, belo filme baseado em livro de Nick Hornby ao lado de Hugh Grant. Mantém a fisionomia e caminha estável na carreira.

Mas decepcionante mesmo é “O Exótico Hotel Magigold 2”. Principalmente pelo desperdício de talentos. É como se a gente ouvisse no fundo o mestre de cerimônias de “Cabaret” (1972), Joel Gray, cantando “Money, Money Money…”. Pelo menos uma certeza se tem. Não haverá um número 3. Esse segundo enterrou certamente a carreira do hotel. Lamentável os talentos de Bill Nighy, Judi Dench e Maggie Smith a serviço de empreitada tão comercial. Mas certamente, todos eles têm direito a uma aposentadoria decente.

A magia se foi. Sente-se com segurança a forte presença dos produtores conduzindo a trama em nome da bilheteria. Assim como a convocação de Richard Gere, bem deslocado no meio daqueles ingleses talentosos. E lá pelo meio do filme fica a pergunta: “mas afinal, o que era tão bom no outro?” É até difícil lembrar.

Aí fica a questão de sempre: como escolher o filme que vai fazê-lo feliz? Instinto. Algo que só a alta quilometragem de poltrona traz. É um ator aqui, uma sugestão de roteirista ali, o nome do diretor, e até mesmo uma promissora trilha sonora. E a recomendação, vinda de quem entende do ofício, em vez de apenar render-se à força dos grandes estúdios. Fundamental, mesmo é duvidar de muito esforço de relações públicas.

Há uma outra vertente: qual o filme que vai ajuda-lo a enfrentar com mais leveza a semana? Que vai trazer diversão, sem grandes compromissos, sem grandes questões filosóficas e metafísicas? Um filme que seja leve?

Bons atores e uma boa história fazem uma produção comercial render bons resultados. É o caso de “Noite sem Fim”, mais um dos filmes da virada de carreira de Liam Neeson. Ainda em exibição, traz as manobras do eficiente matador profissional Jimmy Conlon, interpretado por Neeson, que é obrigado a defender o filho (o sueco Joel Kinnaman, revelado na série “The Killing”) que só quer distância dele. No elenco os ótimos Ed Harris e Vincent D’Onofrio amarram a trama, direção do espanhol Jaume Collet-Serra, o mesmo de outros dos filmes de Neeson, “Sem Escalas”. Comercial sim, mas com muita dignidade. Justamente o que faltou ao “Exórico Hotel”.


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