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Os muitos talentos do melhor Sherlock Holmes de todos os tempos

Claudia Bozzo Houve época em que um filme, para ter sucesso de público, precisava ter Julia Roberts. Não mais. O ator mais solicitado do momento é o britânico Benedict Cumberbatch, […]

12/01/14

Claudia Bozzo

Houve época em que um filme, para ter sucesso de público, precisava ter Julia Roberts. Não mais. O ator mais solicitado do momento é o britânico Benedict Cumberbatch, que na segunda-feira, 13 (22h00 até 00h00), pela BBC HD (canal 531 da Net) volta na terceira temporada de Sherlock Holmes. Reprise no dia 14 (1h00 até 3h00). Importante observar que a estreia na TV britânica foi há poucos dias, em 1ª de janeiro de 2014. Episódio que recebeu o dobro de audiência em relação à primeira temporada – eram 5 milhões de pessoas e desta vez foi visto por 9,2 milhões de espectadores. (As duas primeiras temporadas estão disponíveis no Netflix, o que ajudou a popularizar ainda mais a série).

Nesse primeiro episódio da terceira temporada, vamos finalmente, depois de dois anos – data em que foi filmado o último capítulo da segunda – saber como Sherlock Holmes não morreu, ao cair de um prédio. Não é de se estranhar o agito em torno desse fato, que se derramou pela imprensa britânica. Sherlock fora obrigado a saltar do prédio, senão o seu arqui-inimigo, Moriarty, mataria duas pessoas, uma delas o delegado Lestrade, para o qual o detetive presta consultoria.

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A adaptação das obras de Conan Doyle foi feita por Stephen Moffat, que manteve o empolgante estilo de análise do detetive, em um ritmo acelerado e com recursos atuais. Sherlock não só escreve cartas ou diários: digita mensagens de texto em um celular e promete manter um blog (Watson possui um). A presente série encaixou-se como uma luva no estilo Doyle e só acrescenta á genialidade e engenhosidade do médico escocês que escreveu cerca de 60 livros sobre o personagem, no final do século XVIII e início do século XIX.

Como na internet tudo se encontra, há muitos “spoilers” (assim são chamadas as indiscrições propositais, a respeito de tramas de filmes), é melhor deixar para lá e curtir a série, premiadíssima no Reino Unido e que lançou Cumbabatch para uma carreira internacional.

Só para se ter uma ideia, nos cinemas paulistanos ele está atualmente em dois filmes: o dramático “Album de Família”, com Meryl Streep e Julia Roberts, entre outros bons atores, e em “O Hobbit: A Desolação de Smaug”, filme cujo ator principal é exatamente seu parceiro em Sherlock, como Holmes: o excelente Martin Freeman, que fez um  “Mochileiro das Galáxias”.

Em outros cinemas ele aparece no trailer de “O Quinto Poder”, sobre Julian Assange, o criador do Wikileaks, atualmente refugiado na embaixada do Equador em Londres. Em uma entrevista, Cumberbatch disse ter ficado fascinado pelo personagem que interpreta, e pela sua credibilidade. Não foram só esses os filmes dos quais ele participou em 2013. Da relação constam “12 Anos de Escravidão”, que em breve estreia em São Paulo e promete ser um dos mais premiados de 2014, e   “Além da Escuridão, Star Trek” onde faz o vilão que rouba as cenas. E para 2014 há sete filmes programados (até o momento), segundo sua biografia.

Cumberbatch, após interpretar Sherlock – série das mais bem sucedidas da TV britânica, que situa o gênio da dedução, criado por Conan Doyle, nos dias atuais – tornou-se um sex-symbol (suas fãs são chamadas de “cumberbitches”). Ele é versátil ao extremo. Premiado pelas peças que interpretou no teatro, entre elas “Frankenstein”, do diretor Danny Boyle (de “Quem quer ser um Milionário?”) na qual apresentava-se em noites alternadas, como o criador e a criatura, dividindo a cena com  Jonny Lee Miller, ator britânico que é o Sherlock da série norte-americana “Elementary”.

Mas não há limites para o talento desse ator nascido há 37 anos em Hammersmith, Londres, filho de dois atores e bisneto do cônsul geral da Rainha Vitória na Turquia. Tem mestrado em Interpretação Clássica e destacou-se também em performances no rádio, como narrador de séries da BBC, da National Geographic e do Discovery Channel. Emprestou sua imponente voz de barítono para videogames e áudio livros, anúncios e até mesmo como cantor: gravou uma música (‘Can’t keep it inside’) para o filme “Album de Família”, atualmente nos cinemas.

Ele se diz budista (“pelo menos do ponto de vista filosófico”), o que faz um certo sentido, pois após diplomar-se em Manchester tirou um ano sabático e foi ensinar inglês em uma escola no Tibete. Em 2004 quando rodou a minissérie “To the Ends of the Earth”, na África do Sul, protagonizou uma aventura real, pois foi vítima de um sequestro relâmpago por ladrões que levaram o carro e o deixaram, com dois amigos em um descampado. Dedica-se à caridade e é um dos embaixadores do The Prince’s Trust, organização criada pelo príncipe Charles para ajudar jovens em dificuldades no Reino Unido, além de participar de várias ONGs. Em 2003 aderiu à Coalizão Contra a Guerra no Iraque em Londres. Em resumo, talentoso, criativo, atuante. Precisa mais?


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