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Os franceses estão de volta

Claudia Bozzo Exibida em 55 cinemas brasileiros, a Mostra Varilux de Cinema Francês está de volta e vai até 21 de junho em 12 cinemas paulistanos. Traz uma grande variedade […]

11/06/17

Claudia Bozzo
Exibida em 55 cinemas brasileiros, a Mostra Varilux de Cinema Francês está de volta e vai até 21 de junho em 12 cinemas paulistanos. Traz uma grande variedade de temas, da comédia ao drama, e atores de primeira linha. O festival, como sempre, tem o melhor do bom cinema comercial francês e a programação – com os trailers de cada um dos filmes – pode ser consultada pela internet. 

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Entre outros, “Rodin”, de 2017, que marca o centenário da morte do escultor e o retrata depois dos 40 anos, logo após a conquista de sua primeira encomenda oficial do governo francês, a criação da Porta do Inferno. O filme de Jacques Doillon traz no papel principal um dos melhores entre os melhores atores franceses, Vincent Lindon (de “A Lei do Mercado”, 2016). Foi apresentado em Cannes este ano e indicado para sete prêmios, entre eles o de melhor roteiro para o diretor. 

Embora tenha a sensibilidade de mostrar o artista criando, pensando e analisando a obra, tendo em mente “O Inferno” de Dante Alighieri, o filme cai numa visão exageradamente “cool”, que o torna até mesmo enfadonho. Mas as informações sobre dilemas, sofrimento e angústias gerados na criação artística deixam sua marca, da mesma forma como são expostos os conflitos internos de Rodin em trabalho que levou 37 anos para ser feito, sem sequer ter sido formalmente terminado. 

Longe do impacto causado pelo excelente “Camille Claudel” (1988) de Bruno Nuyten, diretor e roteirista, com Isabelle Adjani e Gérard Depardieu, que é um drama rasgado e coloca o foco na relação entre mestre e aprendiz, depois parceira e amante, o recente “Rodin” tem quase que um caráter didático, ao expor o método de trabalho do genial escultor e suas relações com modelos, clientes e críticos.

A escultura que ele fez de Balzac, uma das mais importantes de suas obras, é dissecada, assim como detalhes da Porta do Inferno, talvez sua obra de maior prestígio, que já esteve em São Paulo, na Pinacoteca, na inesquecível mostra sobre o artista, em setembro de 2001. 

O filme de Doillon inclui, é claro, o relacionamento de Rodin com Camille Claudel, mas deixa clara a forte ligação dele com a esposa, Rose, com a qual se casou em 1864, e viveu até sua morte. 

Outro dos filmes interessantes do festival é “Frantz”, de François Ozon, o mesmo diretor de “8 Mulheres” (2002), “Potiche – Esposa Troféu” (2010) e do intrigante “Uma Nova Amiga “ (2014). 

O filme, co-produção franco-alemã, parece caminhar em direção à reconciliação. Uma jovem alemã que ainda sofre com a morte do noivo, na Primeira Guerra, em batalha na França, nota a visita de um jovem francês que deposita flores no túmulo do soldado morto.

Hostilizado pelos moradores da cidade natal do soldado Frantz, e pela família dele, Adrien (Pierre Niney) vai-se aproximando. Mas é uma obra François Ozon, não nos esqueçamos. Ele é um diretor que domina a delicada e imprecisa osmose entre audácia e lirismo. 

Mesmo longe da irreverência de “Sitcom” (1998) onde mescla os problemas de uma família rica com homossexualidade, tendências suicidas e um gigantesco rato, o caminho de “Frantz”  é tudo, menos linear. E Ozon mostra que é um cineasta cada dia mais sólido, estruturado e maduro.

Outro filme que promete é “Perdidos em Paris” do belga Dominique Abel e da australiana Fiona Gordon, o mesmo casal de “Rumba”(2008) e “Iceberg (2005) comédias irreverentes e originais. Para ter uma ideia do astral dessa dupla, deve-se ir ao YouTube em busca de um trailer de “Rumba”. Em “Iceberg”, exibido pela TV5, Fiona é a gerente de uma loja de congelados que passa a noite trancada acidentalmente no freezer do estabelecimento. Mas o marido não percebe sua ausência. O fato muda sua vida. Portanto, muito a esperar de “Perdidos em Paris”.


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