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Os filmes que jamais vão acabar, quem diria, na sessão da tarde!

Claudia Bozzo Haja vestido de festa! Tapetes vermelhos e joias emprestadas por joalherias famosas. O mundo do cinema está numa inquietude palpável, pois fevereiro reúne o que há de mais […]

14/02/16

Claudia Bozzo
Haja vestido de festa! Tapetes vermelhos e joias emprestadas por joalherias famosas. O mundo do cinema está numa inquietude palpável, pois fevereiro reúne o que há de mais importante para a indústria. É a época em que se concentra a maior distribuição de prêmios – e em muito maior número, claro, decepções.

Hoje, domingo (14), por exemplo, é o ator de cinema, TV e teatro, o prá lá de talentoso Stephen Fry que assume o papel de mestre de cerimônias na cerimônia do Bafta (British Academy of Film and Television Arts), o “oscar” britânico, entregue desde 1947.
Em Berlim, realiza-se de 11 a 21 de fevereiro a Berlinale, mostra de cinema que se equipara a Cannes em importância. E de onde saem filmes que dificilmente acabarão numa mera sessão da tarde. É a arte, o novo, o talento que imperam aí
.
Depois, dia 26 de fevereiro há a entrega do César, o magnífico “oscar” francês, criado em 1976 cuja transmissão lamentavelmente passou da TV5 para uma outra emissora francesa e portanto, não pode ser acompanhado no Brasil. Mas sempre há a possibilidade de tentar acompanhar ao vivo, pela internet.

E finalmente, a 88ª cerimônia de entrega do Oscar, no dia 28 de fevereiro, que será apresentada por Chris Rock, em meio a uma série de controvérsias sobre discriminação racial.

O Bafta tem uma pauta bastante semelhante à do Oscar, mesmo porque os grandes atores dos filmes norte-americanos são originários das ilhas que concentram os grandes talentos da interpretação. A premiação até que se saiu com uma solução criativa nesses tempos, mesmo porque de lá veio a semente dessa globalização: tem uma premiação para “Melhores Filmes” e “Melhores Filmes” britânicos. Entre os primeiros estão “A grande aposta”, “Ponte dos espiões”, “Carol”, “O Regresso” e “Spotlight – Segredos Revelados”. O Oscar incluiu a eles “Mad Max- Estrada da Fúria” e “O Quarto de Jack”.

Mas vamos ficar com uma categoria em especial, a de melhores filmes estrangeiros. Mesmo porque parece mais forte que tudo uma tendência de vitória para o que está sendo injustamente chamado de “o filme do Leonardo Di Caprio”, que na verdade é mais uma brilhante mostra do talento de Alejandro G. Iñárritu, que no ano passado venceu com “Birdman”.

O Bafta incluiu este ano, entre os melhores da categoria Filmes não falados em inglês o argentino “Relatos Selvagens”, além de “Timbuktu” e “Força Maior”.

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No César entrou “Birdman”; “O Filho de Saul”; a co-produção com a Bélgica “Je suis mort mais j’ai des amis”; o filme de Nanni Moretti “Mia Madre”; o do iraniano Jafar Panahi, “Táxi Teerã”, o belga “Novíssimo Testamento” – imperdível e em exibição no Reserva Cultural, além do novo filme de Paolo Sorrentino, “Juventude”, que pode ser encontrado em piratas. Mas é melhor esperar que entre em circuito comercial, pois os filmes de Sorrentino (o diretor de “A Grande Beleza” e “Aqui é Meu Lugar”) são sempre belos, muito belos. A estranheza pela presença de alguns dos indicados tem a ver com a data de exibição dos filmes tanto na França como no Reino Unido.

Já o Oscar traz entre os estrangeiros filmes exibidos na Mostra de Cinema de São Paulo em outubro do ano passado, entre eles o colombiano “O Abraço da Serpente”, o húngaro “O filho de Saul”, o ótimo dinamarquês “A Guerra” (que tem como ator principal Pilou Asbæk, visto aqui na notável série “Borgen”, apresentada pelo Canal +Globosat), o francês “Cinco Graças”, e o jordaniano “O Lobo do Deserto.

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Como se comprova, ano após ano, a Mostra é uma grande oportunidade para ver filmes que talvez não entrariam em circuito comercial e além do mais, ter uma noção dos filmes que serão indicados para melhor obra estrangeira, seja qual a premiação.
Por falar em filme estrangeiro, nada mais distante para nós que a Islândia. É de lá que vem o comovente “A Ovelha Negra”, em exibição apenas no Reserva Cultural. Premiado em Cannes, conta a história de dois irmãos, criadores de ovelhas, que não se falam há décadas (“eram mais que inimigos, eram irmãos”, diz personagem de livro de Pitigrilli , como era conhecido o escritor italiano Dino Segre). Mas são obrigados a se entender por causa de uma doença que ataca rebanhos locais. Na Islândia, a população de ovelhas supera a de seres humanos e embora o governo possua programas para atender produtores com problemas, a morte de ovelhas é uma verdadeira tragédia para os fazendeiros. Uma história simples, bem contada, com personagens de uma universalidade comovente. Precisa mais para se fazer um bom filme?


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