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O teste de frieza do Copom

Klaus Kleber Com a pressão do câmbio nas últimas semanas, muito analistas (eu, inclusive) pensavam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião na semana […]

13/05/18

Klaus Kleber

Com a pressão do câmbio nas últimas semanas, muito analistas (eu, inclusive) pensavam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião na semana que se inicia (dias 15 e 16) não mexeria na taxa básica de juros, deixando-a em 6,5% a.a. Acontece, porém, que o presidente do BC, Ilan Goldfajn, deu uma entrevista à GloboNews, pela qual não disse em sim nem não sobre a Selic, mas o mercado interpretou sua fala como indicando que haveria mais uma baixa de 0,25 ponto percentual, trazendo a taxa para 6,25%.

De fato, se o que o Copom leva em conta é a tendência da inflação e estando o IPCA nos últimos 12 meses terminados em abril em 2,76%. abaixo do piso da meta, que é 3%, haveria bastante justificativa para baixar a Selic para 6,25%, em condições normais de temperatura de pressão.

O tempo, porém, mudou neste outono. A cotação do dólar insiste em subir apesar das intervenções maciças do BC por meio de swaps cambiais. Essa instabilidade do real não inspiraria prudência para conter previsíveis efeitos inflacionários? E o temor de um efeito Orloff em vista da situação quase caótica que levou a Argentina a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI)? O Brasil não poderia ser a Argentina amanhã ou depois de amanhã?

Há pessoas no mercado que pensam que exatamente pelas preocupações que as variações cambiais provocam no momento é que o Copom deveria baixar a Selic agora para 6,25%. Segundo esse raciocínio a autoridade monetária tem oportunidade de ouro para demonstrar que o Brasil tem lá seus problemas fiscais, mas está longe de uma crise cambial. Não há correria de poupadores comprar dólar e a subida da cotação da moeda norte-americana estaria apenas ajustando o real, que, como concordam economistas e empresários, estava sobrevalorizado e já era hora de sofrer uma correção.

O que veremos, pois, na quarta-feira, quando o Copom fará o anúncio sobre a taxa básica de juros, é se o Copom é capaz de agir com frieza diante do que está acontecendo na Argentina.


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