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O que o protecionismo trumpiano pode levar

Klaus Kleber Se houver mesmo uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as hostilidades estão apenas começando. Depois de tentar negociar com a administração Trump a imposição […]

09/04/18

Klaus Kleber

Se houver mesmo uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as hostilidades estão apenas começando. Depois de tentar negociar com a administração Trump a imposição de tarifas posto tarifas sobre produtos chineses no total de US$ 50 bilhões, valor que logo subiu para US$ 60 bilhões e há ameaças de chegar a US$ 100 bilhões. Até agora, Pequim tem reagido com bastante moderação.

Com o fracasso inicial das negociações, o governo de Xi Jingping retaliou, decretando um aumento de tarifas de 15% a 25% sobre l20 produtos alimentares importados dos EUA, no valor de US$ 3 bilhões. Xi, por enquanto, preferiu não atender aos gaviões de seu governo, que, segundo informou The Diplomat, recomendaram que a China deixasse de adquirir títulos da dívida dos EUA. Isso seria um ato bélico para valer.

Ora, como informa o Fundo Monetário Internacional (FMI), a China detinha, ao fim de 2017, reservas no total de US$ 3,235 trilhões, a maior parte desse dinheiro aplicada em títulos americanos. Se Pequim deixasse de comprar esses “Tresuries”, como são chamados, isso poderia causar sérios problemas para a rolagem da dívida dos EUA, podendo frustrar os investimentos que Trump prometeu fazer na infraestrutura. Além disso, combinado com o corte de impostos por Trump, isso pressionaria demais a dívida interna americana. O mercado de ações também viria abaixo.

Mesmo que essa medida não seja tomada a curto prazo, o presidente dos EUA já está sofrendo as pressões dos fazendeiros americanos, que estão temerosos, com razão, de perder mercado para outros países, como o Brasil e a Argentina. Já se noticia, por sinal, que o Brasil poderá exportar muito mais carne de porco congelada para a China, em substituição a importações americanas.

Seria enganoso concluir, porém, que a guerra comercial entre aqueles dois cachorros grandes do comércio mundial seria benéfica para o País. Poderia ser, se houvesse uma abertura comercial maior no Brasil, que poderia ser usada para negociar a reversão definitiva de sobretaxas americanas sobre o aço e o alumínio exportados pelo Brasil.

Contudo, a saída para esse contencioso encaminha-se, pelos que se sabe, para a fixação de cotas para a exportação de aço para os EUA, seguindo o exemplo da Coreia do Sul. Pode ser que não haja outro jeito, mas é preciso ter em mente que a imposição de cotas de exportação de determinados produtos para determinados mercados só age em desfavor da expansão do comércio mundial, fortalecendo o protecionismo trumpiano.


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