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O pessimismo dá as cartas na economia

Klaus Kleber Há um ambiente claro de decepção no mercado quanto aos rumos da economia este ano. Pode-se dizer que o desencanto quanto ao ritmo de atividade em 2018 já […]

25/06/18

Klaus Kleber

Há um ambiente claro de decepção no mercado quanto aos rumos da economia este ano. Pode-se dizer que o desencanto quanto ao ritmo de atividade em 2018 já vinha de algum tempo, mas tudo piorou depois da greve dos caminhoneiros, que deixou a nu a economia nacional, exibindo toda a sua fragilidade. Falar hoje em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% em 2018 passou a ser otimista demais. O pessimismo é que está dando as cartas.

O Boletim de Mercado (Focus) do Banco Central (BC), que divulga a mediana das previsões um grupo de economista do setor financeiro, que projetava um crescimento do PIB de 2,16% há uma semana, agora prevê 1,94%. Tudo pode piorar no próximo Focus e há muitos analistas trabalhando com a hipótese de um leve aumento de 1% a 1,5% do PIB em relação a 2917.

Tudo também indica que acabou aquela possibilidade de que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderia ficar em torno do piso da meta (3%). Agora, depois de divulgado que o IPCA-15, que mede a inflação de 15 de maio a 15 deste mês, ficou em 1,11%, a previsão é de que vai ficar quase no centro da meta (4,5%). A projeção de inflação do Focus agora é de 3,89%, em comparação com 3,57% há uma semana.

Em segundo se afirma, essa subida dos preços ainda não reflete os efeitos das turbulências do câmbio, mas tão somente os aumentos do Transportes e da Alimentação, além do impacto (menor) da bandeira vermelha 1 sobre as contas de luz.

O BC vem lutando denodadamente para evitar que a taxa de câmbio exploda, mas, ao que parece, e o câmbio ficar na faixa de R$ 3,70 a R$ 3,75 por dólar ao fim deste ano, já estará muito bom. Na última sexta-feira, dia 22, ficou em R$ 3,78. O clima continua especulativo e deve ficar mais turvo à medida que se aproximam as eleições,

O BC tem bala para evitar um estouro da moeda americana, mas as batalhas diárias que tem travado para conter a alta da cotação só agravam as incertezas.

Enquanto isso, contentamo-nos a assistir aos jogos da Copa do Mundo, na esperança de que, pelo menos no gramado o Brasil saia bem em 2018.


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