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O jogo e a mente

Por Vince Vader Videogames, tabuleiros, cartas, dados, competições esportivas – não importa o tipo – todo mundo, algum dia na vida, já se viu envolvido com algum tipo de jogo. […]

17/04/12

Por Vince Vader
Videogames, tabuleiros, cartas, dados, competições esportivas – não importa
o tipo – todo mundo, algum dia na vida, já se viu envolvido com algum tipo
de jogo. Você gosta de reunir amigos para quatro horas intensas de “War”?
Acha divertido chamar um rival e duelar horas no ‘Soulcalibur!” de Xbox 360?
Ou para você emoção de verdade acontece com seis pessoas em uma mesa de
“Poker”?
Não há idade certa e nem hora marcada para o exercício do jogar; e pensando
nesses exemplos, inevitavelmente, surge o questionamento: por que gostamos
tanto de brincar com jogos?
Lendo o livro “Everything bad is good for you” do autor Steven Johnson,
podemos encontrar ótimos indícios para responder esse questionamento.
Johnson que é graduado em semiótica pela Brown University e em literatura
inglesa pela Columbia University, ficou conhecido por defender o acesso
irrestrito dos jovens aos jogos de computador e aos sites de relacionamento
e dizer que a televisão, a internet e até mesmo os videogames possuem
virtudes intelectuais e cognitivas diferentes, mas não inferiores à da
leitura.
O autor diz que dois insights são pertinentes quando estudamos e tentamos
entender games. Primeiro: neurocientistas tem desenhado uma diferença
crucial entre a maneira que o cérebro procura recompensa e a maneira que o
cérebro obtém prazer. Os “painkillers” naturais que o corpo produz, também
chamados opióides, são as puras drogas de prazer do cérebro, enquanto o
sistema de sensação de recompensa envolve o neurotransmissor ?Dopamina?
interagindo com receptores específicos de uma parte do cérebro chamada
“nucleus accumbens” que é considerado uma interfase neural entre a
motivação e ação motora, e participa de modo decisivo na alimentação,
conduta sexual, resposta ao stress, autoadministração de drogas, etc..
O sistema de “Dopamina” basicamente funciona da seguinte forma: quando 

uma recompensa é alta, os níveis de “Dopamina” enviam um alerta que excitam o
cérebro fazendo com que ele reconheça o ponto positivo; quando a recompensa
é baixa ou não atingida, o nível de alerta é baixo, gerando a frustração.
Um exemplo prático de frustração gerada por baixo alerta de Dopamina
acontece quando o fumante inveterado não consome seu tradicional primeiro cigarro da manhã; quando um investidor de ações não ganha nada em nenhuma bolsa em um dia específico, ou quando um jogador de videogame, após horas
de tentativas, não consegue matar o chefe da última fase.
Jaak Panksepp, neurocientista da Universidade Estadual de Bowling Green
(EUA) que estuda o tema, chama o sistema de “Dopamina” do cérebro de
“circuito de busca”, que está sempre procurando recompensas para nos gerar
novas sensações de prazer.
A vida está cheia de maneiras de conseguir recompensas e sensações de
prazer. Estamos aptos a nos viciarmos/buscarmos recompensa em: chocolate,
sexo, drogas, sucesso profissional, videogames, cartas, etc.
O mundo dos games  – não importa qual tipo de game – gira em torno de
recompensas. Gira em torno de criar tensão no jogador e depois a tão
esperada recompensa, produzindo assim uma sensação de prazer amplificada.
Necessariamente você não precisa ficar viciado no jogo, mas fica mais fácil
entender por que a gente gosta tanto de brincar com eles.
*Referências:*
Everything bad is good for you? de Steven Johnson
http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2763
http://www.revneurol.com/sec/resumen.php?i=p&id=99617&vol=30&num=09


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