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O bloco menos animado é o do governo

Em tese, todo agente tem de levar em conta as projeções sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para orientar suas atividades. Nessa altura, está sendo muito difícil saber […]

11/03/19

Em tese, todo agente tem de levar em conta as projeções sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para orientar suas atividades. Nessa altura, está sendo muito difícil saber em que acreditar. Havia um certo consenso de que a economia brasileira poderia avançar 2,5% em 2019. Esta não somente era a previsão dos economistas consultados para elaboração do relatório de Mercado (Focus) do Banco Central como também do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em janeiro, o Fundo projetava um crescimento de 3,5% em 2019 e 3,6% em 2020 da economia global e era otimista quanto ao Brasil, contando em que o PIB do País tivesse um aumento de 2,5%, 0,1 ponto percentual acima de sua previsão de outubro.

Mais recentemente, no início de março, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi mais contido. Suas projeções para o crescimento global foram de 3,3% para 2019 e 3,4% em 2020. Em novembro, havia previsto um avanço do PIB mundial de 3,5% em cada um desses dois anos.

No caso do Brasil, a OCDE jogou um balde de águia fria sobre os mais otimistas. Cortou sua projeção anterior de um crescimento de 3,2% o PIB nacional para 1,9% em 2019.  Um alívio para o País só viria em 2020, quando o PIB aumentaria 2,4%

Se a guerra comercial entre os EUA e China, a saída (Brexit) prevista para 29/3 do Reino Unido da União Europeia (UE) e a debilidade da economia de outros países europeus, como a |Itália, são motivos alegados pela instituição para revisar a taxa de crescimento global. Quando à previsão sobre o PIB do Brasil em 2019 é apresentada sem explicação específica.

A expectativa da OCDE é que a economia brasileira só melhore com a realização das reformas, particularmente da Previdência, e outros fatores que podem reduzir as incertezas. Tudo isso só se fará sentir em 2020, quando o PIB nacional poderia avançar 2,4%.

­­Os economistas do mercado financeiro que municiam o Focus já estão sentindo esse clima de quarta-feira de cinzas.  No último Focus, divulgado em 6/3, a previsão para o PIB este ano foi reduzida de 2,5% para 2,3%. Tudo parece indicar que, nas próximas semanas, essa taxa irá caindo e há quem considere, dada a paradeira atual do ritmo de atividade, que se o PIB fechar em dezembro com um aumento de 1,9% seria de o caso de soltar foguetes.

É inegável que, por razões diversos, mas principalmente pelas manifestações do próprio presidente Jair Bolsonaro, um tuiteiro errático e um orador que ainda não deixou o palanque, a confiança na ação do governo diminuiu a olhos vistos. Não se pode dizer que o Planalto tenha chegado, ao menos, a ter uma base no Congresso, o que coloca em dúvida a velocidade do andamento das reformas. Em linguagem carnavalesca, o bloco menos animado de todos é o dos apoiadores do governo, dentro e fora dele, que nem mesmo fazem uso de apito.


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