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O BC marca gol e o País tem boa defesa

Klaus Kleber O Brasil sofreu um ataque especulativo violento na semana passada, levando a cotação do dólar a R$3,90 na quinta-feira, dia 7, mas conseguiu repeli-lo com rapidez. Com um […]

11/06/18

Klaus Kleber

O Brasil sofreu um ataque especulativo violento na semana passada, levando a cotação do dólar a R$3,90 na quinta-feira, dia 7, mas conseguiu repeli-lo com rapidez. Com um saída hemorrágica de aplicações financeiras do exterior do País, que foram de US$ 8,43 bilhões em maio, aos quais se somaram mais de US$ 2 bilhões nos primeiros dias de junho, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, veio a público lembrar que o País tem mais de US$ 380 bilhões de reservas, e passou das palavras à ação.

Com maciça intervenção no mercado na sexta-feira, dia 8, com uma oferta de US$ 20 bilhões ao mercado, o BC marcou um gol decisivo, fazendo a cotação do dólar retroceder a R$ 3,70. A pergunta que é fica é: terá o Brasil condições de levar de vencida outras ondas especulativas a médio prazo?

Ninguém pode bater o pé e dizer que não. Mas manda a verdade dizer que o País não precisa vitalmente de aplicações financeiras do exterior. Boa parte desses investimentos bateu asas e foi para o mercado americano para aproveitar a tendência do Federal Reserve de elevar os juros nos EUA.

Isso não é bom para os países emergentes em geral, com déficits em conta correntes elevados e que precisam ser cobertas com o influxo de capital externo. Não é o caso do Brasil. No ano passado, o déficit em conta corrente foi de US$ 9,76 bilhões, valor historicamente baixo, considerando que em 2015 foi de US$ 58,94 bilhões, o menor valor desde 2010, quando atingiu o recorde de US$ 75,08 bilhões. E acontece que, de janeiro a abril de 2018, esse déficit é negativo em US$ 2,60 bilhões de janeiro a abril, ou seja, virou superávit.

Esses dados junto com a manutenção das reservas em nível elevadíssimo, uma dívida externa baixa e a boa entrada de investimentos estrangeiros diretos (US$ 20,36 bilhões de janeiro a abril) deixam o País bem protegido ataques especulativos, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece.

Sim, as incertezas políticas internas podem detonar outra forte ofensiva contra o real, e isso pode desvalorizar ainda maior de ativos brasileiros, como reflexos na Bolsa de Valores (B3), cujas cotações têm sofrido com a debandada de investidores externos.

Felizmente, a Copa do Mundo vai começar esta semana, o que pode dar uma acalmada na ansiedade do setor financeiro do País, tão propenso ao efeito manada.


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