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Na era digital, Coca-Cola e carreiras precisam gerenciar dados

Leonardo Trevisan Vítimas da era digital estão em todos os lugares. Até no consumo da Coca-Cola. Em entrevista para a Bloomberg, o novo CEO da gigante, James Quincey avisou que […]

por Leonardo Trevisan
09/06/17

Leonardo Trevisan
Vítimas da era digital estão em todos os lugares. Até no consumo da Coca-Cola. Em entrevista para a Bloomberg, o novo CEO da gigante, James Quincey avisou que consumidores estão comprando mais pela internet, usando aplicativos, recebendo comida em casa e indo bem menos a shopping. A sentença veio dura: “a era digital tira vendas da Coca-Cola”, porque a “tecnologia mudou o comportamento das pessoas”.

Vidas e carreiras, óbvio, também foram afetadas pelo mesmo motivo O remédio é conhecido: estar completamente plugado. Será que resolve? A coluna de Pedro Dória no Estado, de 5/5, contou que Peter Shankman, que ganhou muito criando startups, hoje escritor, vive conexão absoluta. Mas, na hora de entregar seu livro mais recente, apenas deu pânico. Não tinha escrito nada.

Solução: Shankman comprou passagens de ida e volta San Francisco/ Tóquio. Desplugado de tudo, na ida escreveu cinco capítulos. Voltou no mesmo avião. Em 30 horas de voo escreveu 10 capítulos. Resumo da ópera: será obrigatório ficar desplugado para obter produtividade no tempo das enormes distrações digitais?

Estes dois extremos podem ensinar algo na construção ou transição de carreira. Primeiro, nem a Coca-Cola escapa das mudanças digitais. Segundo: conviver com elas exige outra percepção de foco.

Porém, a The Economist (de 12/05) mostrou que “dados” representam hoje o recurso “mais valioso”. A revista insiste que coleta crescente e acesso ultrarrápido a dados dá melhor condição a qualquer empresa de aperfeiçoar produto ou serviço. Capacidade de gerenciar dados é o que faz empresas valiosas. O Google vê (e armazena) o que as pessoas procuram, o Facebook o que compartilham e a Amazon o que compram. A Tesla vale mais que a GM pelo volume de dados que tem e que lhe permite aprimorar cada vez mais o sistema de autocondução de seu produto.

O que Shankman fez nas 30 horas desconectado foi “digerir” os meses de dados acumulados desde o livro anterior. Como um robô o faria, focado só em seu alvo, tratando os dados de seu big data particular. O mesmo que a Tesla faz.

Carreiras eficientes na era digital percorrem o mesmo percurso quanto ao tratamento de dados. O CEO da Coca-Cola disse que prefere o papel de vencedor ao de vítima da era digital. Isso dependerá de como, até a Coca-Cola, lidará com dados.

(maio 2017)


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