X

Maturidade e talento da bela Catherine Deneuve em “Um Pátio de Paris”

Claudia Bozzo Nas telas dos cinemas desde 1957, e aos 71 anos, Catherine Deneuve continua bela, talentosa e sem qualquer estrelismo. É uma boa época para vê-la: está nos cinemas […]

05/04/15

Claudia Bozzo
Nas telas dos cinemas desde 1957, e aos 71 anos, Catherine Deneuve continua bela, talentosa e sem qualquer estrelismo. É uma boa época para vê-la: está nos cinemas no belo e comovente “Um pátio de Paris” e a TV5, que faz parte do pacote Europa da Net, escolheu vários de seus filmes para homenageá-la este mês. Então, é só prestar atenção à grade de programas do canal, pois a semana promete: Na segunda (6/04) a reprise de “Place Vendôme”, de 1988, um filme de Nicole Garcia. Terça-feira (7) às 22h00, a emissora (Canal 204 na Net) apresenta “Hôtel dês Amériques”, de 1981, um drama do celebrado André Techiné. Quarta-feira (8), às 14h04, será apresentado “8 Mulheres”, de 2002, dirigido por François Ozon.
E também é bom ficar de olho nas reprises, pois no sábado foi exibido “O Selvagem”, com Deneuve e outro ícone francês, Yves Montand, uma produção franco-italiana de 1975 que certamente serviu de modelo para muitos outros filmes sobre um homem e uma mulher obrigados a conviver em uma praia paradisíaca.
Da Deneuve não se pode dizer que algo tenha faltado em sua carreira. Diretores, os melhores, de Manoel de Oliveira (“Um Filme Falado”, 2003) a Lars Von Trier (“Dançando no Escuro”, de 2000), Régis Wargnier (“Indochina”, 1992), Mario Monicelli (“Tomara que Seja Mulher”, 1986), Tony Scott, (“Fome de Viver”, 1983), François Truffaut (“O Último Metrô, 1980), Claude Lelouche (“A Nós Dois” 1979), Louis Buñuel (“A Bela da Tarde”, 1967 e “Tristana”, 1970), Roman Polanski (“Repulsa ao Sexo”, 1965), inúmeros com Téchiné, outros tantos com Ozon e quem quer que tivesse cacife e talento para bancar a belíssima, disciplinada e exigente atriz.
Além da retrospectiva, a Catherine Deneuve de hoje está impecável em “Um Pátio de Paris”, em exibição em São Paulo. Deve ser até humilhante para as escravas do botox, lipo e plásticas, deparar-se com a beleza atemporal de Catherine Deneuve. Se quiser, ela pode fazer o papel que quiser. E certamente não se enquadra nas mulheres citadas por Russel Crowe – declaração que criou celeuma – quando criticou mulheres que depois de uma certa idade querem interpretar papeis de ingênuas e jovenzinhas. Nada disso. Sua maturidade ela a assume com classe, vitalidade, e uma indiscutível nobreza. Verdade que a natureza foi generosa com essa mulher. Se aos 71 exala tanto charme, lembremos de seus 20, 30 ou mesmo 50 anos.
Em “Um Pátio”, ela interpreta Mathilde, uma dona de casa que passa por um período difícil e no novo zelador do prédio onde mora encontra alguém que a traz de volta à vida. Um filme extremamente delicado e inteligente ao abordar questões como drogas, depressão, convivência entre pessoas, crise, desemprego. O diretor e autor do roteiro, Pierre Salvadori, é o mesmo de “Uma Doce Mentira”, de 2010, com Audrey Tatou e Nathalie Baye e “Amor não tem Preço”, com Audrey Tatou e Gad Elmaleh, de 2006, ambos exibidos em São Paulo.
O zelador, Antoine, também é um depressivo, que não encontra forças para continuar a se apresentar na sua banda e vai em busca de um trabalho. Sem qualificações, encontra o emprego de zelador e a ele se apega com suave dedicação. É nos diálogos entre Mathilde e Antoine que o filme estabelece seu rumo. Um caso típico de “pequeno grande filme”. Categoria na qual franceses, ingleses, italianos e cineastas do leste europeu são imbatíveis. O orçamento enxuto põe inevitalmente o talento em destaque. Seja dos atores, seja de roteiristas, com resultados magníficos. Nada como uma boa história, com bons atores. É o caso de “Um Pátio de Paris”, sem dúvida.


Todos os direitos reservados, 2019.