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Manifestações caem no vazio

Klaus Kleber As manifestações pró-governo Bolsonaro no último domingo não chegaram a ser um tiro no pé, como temiam alguns de seus partidários. Mas quase. Às cinco horas da tarde […]

28/05/19

Klaus Kleber

As manifestações pró-governo Bolsonaro no último domingo não chegaram a ser um tiro no pé, como temiam alguns de seus partidários. Mas quase. Às cinco horas da tarde de domingo, a Globonews estava noticiando uma grande apreensão de maconha na Via Dutra. O noticiário sobre manifestações se restringia, praticamente, à Av. Paulista, com poucos manifestantes carregando faixas em meio a uma multidão de pessoas que circulavam por ali, como ocorre, aliás, todos os domingos e feriados.

Isso falando de São Paulo, onde mais gente saiu às ruas, milhares delas simplesmente para dar um passeio. No Rio e outros grandes centros, o movimento de apoio ao capitão hoje residente no Alvorada foi bem mais fraco, refletindo sua popularidade em queda. E houve Estados, onde não houve nem mesmo reunião de comitê pró-Bolsonaro.

As comparações com os protestos contra os cortes na Educação são inevitáveis e, como se constata, aquele movimento popular ganha de goleada das manifestações do dia 26. Os motivos são vários, mas um se sobressai: não há nenhuma medida tomada pelo governo federal nos últimos cinco meses que tenha como objetivo gerar empregos.

Bolsonaro tem seus partidários fieis, que podem ser encontrados entre os evangélicos, que apoiam sua postura quanto aos costumes, e entre o pessoal da bancada da bala, sustentada pelo setor mais atrasado do agronegócio.

No mais, a agenda do governo consiste da reforma da Previdência, que seria a salvação nacional, e o pacote para reforçar os instrumentos e combate à violência e à corrupção, patrocinado pelo ministro Sérgio Moro.

O presidente da República não parece entusiasta nem de uma coisa ou de outra, preferindo dar declarações disparatadas e/ou disparar tuites de sua própria lavra ou de seu filho Carlos.

Ele tem sorte, pois uma parte do governo consegue trabalhar, apesar de tudo. Na última semana, depois de longos estudos, o governo resolveu dar mais amplitude à ação do BNDES, que passará a ser responsável pela elaboração de projetos de infraestrutura.

Se o Tribunal de Contas da União (TCU) não atrapalhar, como de costume, alguns projetos importantes podem começar a ser executados ou retomados, como a transposição de águas do rio São Francisco e obras rodoviárias e ferroviárias que ficaram no meio do caminho. Isso, sim, significará empregos. Se Bolsonaro conseguir vencer seus preconceitos e a máquina do governo funcionar, ele pode se recuperar. Se não, continuará ser um presidente fraco e falastrão e cairão no vazio as manifestações de grupelhos a seu favor.


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