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KidZania: um parque temático para crianças trabalharem

Por Vicente Martin Mastrocola (@vincevader) Muita calma, caro leitor. Diferente do que – aparentemente – aponta o título, este texto não é sobre exploração de trabalho infantil, é sobre um […]

23/10/12

Por Vicente Martin Mastrocola (@vincevader)

Muita calma, caro leitor. Diferente do que – aparentemente – aponta o título, este texto não é sobre exploração de trabalho infantil, é sobre um parque temático com uma proposta bastante diferente e ligeiramente polêmico em alguns pontos de vista.

O parque KidZania possui como premissa o mote de que é um local onde crianças de 3 a 12 anos podem “brincar de adulto”. Através de uma grande brincadeira de role playing, podem experimentar diferentes tipos de trabalhos e entender a dinâmica social de esforço e recompensa.

KidZania é uma ideia desenvolvida pelo empresário mexicano Xavier López Ancona que abriu a primeira unidade na cidade do México em 1999 com o nome de Ciudad de los Niños. Depois de anos de investimento e expansão de franquias, a marca se conseguiu obter lucro em 2011 e ampliou suas bases para várias cidades do mundo como Tokio, Lisboa, Seoul, Jakarta, DUbai, Kuala Lumpur e outras muitas cidades pelo mundo. Parece, inclusive, que logo mais teremos o Kidzania no Brasil também. No site http://www.kidzania.com.br o lançamento é prometido para 2012 no Shopping Eldorado de São Paulo.

Para dar uma noção mais clara de como é o funcionamento do parque reproduzo a seguir um texto que se encontra no site brasileiro da marca (http://www.kidzania.com.br/the-concept.php). Segundo o descritivo

A KidZania oferece às crianças e seus pais um ambiente seguro, único, muito realista e educacional, que permite que as crianças com idades entre 4 e 12 anos façam o que vem naturalmente a eles, brincando e imitando tradicionalmente as atividades adultas. Como no mundo real, as crianças executam “trabalhos” e são pagas por isso (como um policial bombeiro, médico, jornalista, comerciante, etc) ou paga-se para fazer compras ou para se divertir. O parque temático indoor é uma cidade construída à escala das crianças, completas com prédios, ruas pavimentadas, veículos, o funcionamento da economia e destinos reconhecidos na forma de estabelecimentos” e patrocinado por importantes marcas multi-nacionais e nacionais.

Ao que tudo indica, as atividades são desenhadas para serem simultaneamente divertidas e pedagógicas, com base no conceito de edutainment (educação + entretenimento). O lúdico parece ser o combustível do ambiente proposto no parque e a interface com as marcas garante uma certa dose de realidade para os freqüentadores.

Outro ponto que chama a atenção no parque é que dentro do ecossistema do

parque há uma economia própria e uma moeda oficial, chamada “kidZos”. Conforme as crianças “brincam de trabalhar”, elas ganham o dinheiro do parque e com ele podem usar serviços e fazer compras.

Novamente, no site há uma noção de como funciona a dinâmica monetária dentro do universo de KidZania:

Crianças ganham KidZos, a moeda oficial da KidZania, em cada trabalho que realizam. Aceitos em cada cidade KidZania em todo o mundo, os kidZos são usados para comprar produtos e serviços na KidZania. Quanto mais as crianças trabalham, mais elas ganham. Em sua primeira visita a uma KidZania, as crianças abrem a sua própria conta de corrente no banco KidZania. Crianças recebem KidZos em dinheiro e um cartão de débito para ser usado em qualquer um dos caixas eletrônicos da cidade. Com isso, eles podem retirar os KidZos de sua conta para brincar ou fazer compras ou até mesmo eles podem aplicar seus KidZos para futuras visitas.

Mostrei a ideia do parque para profissionais de diversas áreas e as opiniões foram bem diversas. Alguns olham com bons olhos, pois educa a criança no sentido de valor do trabalho, troca social, cidadania, etc. Outros olham o parque de maneira negativa, pois acreditam que o ambiente insere a criança em um contexto onde o dinheiro ganha importância muito grande e doutrina a criança a basear todas suas ações em função de “quanto vai lucrar no final”.

A discussão é ampla e merece, realmente, diferentes pontos de vista. Gostaria de ver de perto o parque para poder entender melhor. Já é sabido que algumas marcas patrocinam o local, mas a grande dúvida (que não encontrei resposta no site) é como funciona o “pagamento” das crianças. Se há trabalhos que ganham mais do que outros, por exemplo.

Este texto é curto para chegarmos a alguma conclusão. E você o que pensa desse assunto?


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