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Itamaraty comandará a Apex, mas com quanto dinheiro?

Klaus Kleber   Pelo que transpirou, houve mesmo uma briga de foice entre o futuro czar da Economia, Paulo Guedes, e o antiglobalizante indicado para chanceler, Ernesto Araújo. Diz-se que, […]

10/12/18

Klaus Kleber

 

Pelo que transpirou, houve mesmo uma briga de foice entre o futuro czar da Economia, Paulo Guedes, e o antiglobalizante indicado para chanceler, Ernesto Araújo. Diz-se que, com o apoio de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito, a Agência de Promoção de Exportações e Investimento (Apex) permanecerá no âmbito do Ministério das Relações Exteriores (MRE), tendo Araújo indicado para comandá-la por Alexandre Carreiro, gestor público, que não pertence ao Itamaraty.

Um detalhe intrigante é que a Apex, se fosse para o Ministério da Economia, ficaria subordinada a Marcos Troyjo, indicado por Guedes para a Secretaria de Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. Troyjo é economista e diplomata, já tendo estado na ativa no Itamaraty. Se essa circunstância facilitará ou prejudicará o entendimento que deve haver na área do comércio externo dos Ministérios da Economia e das Relações Exteriores, só o futuro dirá.

O fato é que é preciso dinamizar mais as exportações. As vendas externas estão indo bem, tendo somado US$ 220 bilhões, de janeiro a novembro, crescimento de 9,4% em relação ao mesmo período de 2017, mas isso se deve, na maior parte às vendas de produtos básicos. É preciso dar um empuxe às vendas de produtos manufaturados e é aí que deve entrar a Apex, principalmente considerando que a crise da Argentina vem tendo um efeito devastador sobre as vendas brasileiras de produtos industriais, particularmente automóveis.

Além disso, deve-se considerar que as importações estão crescendo em marcha batida, tendo atingido US$ 168,30 bilhões de janeiro a novembro, 21,3% a mais que no mesmo período do ano e devem ter mais impulso não só com a continuidade esperada da recuperação da economia, como pela maior abertura do mercado brasileiro prometida por Guedes.

A essa altura, não se sabe qual o ritmo dessa abertura, mas as entidades da indústria estão preocupadas. O atual governo tem dado isenção de tarifas para importação de máquinas e equipamentos para telecomunicações, mas sempre com a ressalva de que os bens importados não sujeitos a gravames alfandegários não tenham similar nacional.

É aí que mora o perigo, segundo alguns industriais, pode bem ser que o próximo governo elimine essa exigência, sob o argumento de que é preciso atualizar tecnologicamente o parque industrial brasileiro, acabando com entraves burocráticos.

Por tudo isso, vê-se que a Apex, que nasceu no âmbito do o Ministério do Desenvolvimento. Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e depois passou para o Itamaraty, vai ter de desempenhar um papel importante. Para este ano, a Agência, sob o guarda-chuva do Itamaraty, em um orçamento de R$ 736 milhões. Parece que seria o caso de aumentar essa verba, mas há dúvida sobre isso, especialmente porque Guedes ficará com a chave do cofre.


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