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Isabel Coixet, catalã de grande talento dirige “A Livraria”

Diretora de um dos mais belos filmes já feitos, “A Vida Secreta das Palavras” (2005), a catalã Isabel Coixet criou mais uma pequena joia, o filme “A Livraria” (2017), ainda […]

22/04/18

Diretora de um dos mais belos filmes já feitos, “A Vida Secreta das Palavras” (2005), a catalã Isabel Coixet criou mais uma pequena joia, o filme “A Livraria” (2017), ainda em exibição em São Paulo.

Claudia Bozzo

“A Livraria” conta a história de uma jovem viúva de guerra, que em uma pequena cidade litorânea da Inglaterra resolve, em 1959, comprar uma casa vaga há muitos anos, para lá instalar uma livraria. Mas pisa, sem saber, em terreno minado, pois uma das pessoas mais importantes da cidade, Violet, interpretada por Patricia Clarkson, tem seus próprios planos para o local, que quer transformar em um “centro cultural”.

Florence, papel entregue a Emily Mortimer, resolve enfrentar a disputa e vai enriquecendo sua livraria com clássicos, poesia e obras importantes da época, como “Lolita” de Nabokov, “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury. Com isso, acaba conquistando o interesse do “ermitão” da cidade, um viúvo interpretado pelo ótimo Bill Nighy (Mr. Brundish) talvez mais conhecido por interpretar um dos idosos hóspedes do “Exótico Hotel Marigold” 1 e 2 (2011 e 2015), mas inesquecível como o temperamental coroa vocalista de “Ainda Muito Loucos”, de 1988.

Talvez pelo tema, talvez porque pessoas que leem livros também escrevam cartas, o filme lembra só um pouquinho o inesquecível “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei” de 1987, o que não é um defeito, pois essa sim é uma nobre referência. Para quem se lembra, em “Nunca Te Vi” Anne Bancroft (Helene), de Nova York, mantém rica e interessante correspondência durante muitos anos com um livreiro de Londres, com Anthony Hopkins(Frank) no papel.

Pois em “A Livraria”, atenta ao fato de que Mr. Brundish está sempre lendo algum livro, Florence toma a liberdade de enviar a ele obras de Nabokov e Bradbury, entre outros, conquistando o rabugento solitário que toda a cidade comenta ter ficado viúvo em circunstâncias trágicas.

Além de amigos, os dois tornam-se aliados contra a rica e influente Violet. É um filme que entra muito bem na categoria “pequenos grandes filmes”, e emociona pelo tema.

E já que o assunto do momento é a valorização da mulher como diretora, Isabel Coixet é um bom exemplo de quanto talento pode existir ao lado de uma sensibilidade com menor dose de testosterona. Ela é a diretora e roteirista do inesquecível “A Vida Secreta das Palavras”, que une um elenco cinco estrelas, com Tim Robbins, Sarah Polley, Javier Camara, Eddie Marsan e Julie Christie, entre outros. O filme se passa em uma plataforma de petróleo que será desativada após um acidente e une uma operária (Polley), que se dedica a tratar de um funcionário (Robbins) seriamente queimado no incêndio que atingiu as instalações. A dor dos dramas encontra conforto na empatia trazida pelos personagens envolvidos e o filme colocou Isabel Coixet no mapa de cineastas importantes.

Isabel também pode ser vista na TV a cabo: quem der a sorte de cruzar com um filme chamado “Assumindo a Direção” (2014), com Ben Kingsley e Patricia Clarkson (a mesma Violet de “A Livraria”), aproveite, pois vale a pena. É dela também o filme “Ninguém Deseja a Noite (2015), com Juliette Binoche no papel da esposa do explorador Robert Peary, que em 1909 partiu em busca do Polo Norte.


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