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Garimpar preciosidades, a recompensa de quem vai ao Festival de Cinema Latino-americano

Claudia Bozzo Tradição é uma palavra complicada, muito complicada. Associada ao conservadorismo, é algo a ser evitado a todo custo, para muitos. Mas há outro tipo de tradição que dá […]

26/07/15

Claudia Bozzo
Tradição é uma palavra complicada, muito complicada. Associada ao conservadorismo, é algo a ser evitado a todo custo, para muitos. Mas há outro tipo de tradição que dá para encarar, com muito boa vontade. Uma delas é a persistência de realizar mostras e festivais de cinema, acompanhadas pelos cinéfilos de plantão. Vimos há pouco dois deles, bem interessantes, a Mostra Varilux e Cinema Francês, com 16 filmes, e no Cinesesc, a interessante apresentação de 12 filmes do Cinema Alemão Contemporâneo, com patrocínio do Instituto Goethe.

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Pois esta semana (de quinta-feira, dia 30, até 5 de agosto) começa outro evento, já tradicional na cena da cultura paulistana, o Festival de Cinema Latino-Americano. Gratuito. Pena que o auditório Simon Bolívar, que sempre abriga as exibições, ainda está fechado, em restauração. Mas isso não é motivo para abandonar a grande Mostra, que trará 111 filmes de 17 países.

A programação está distribuída entre uma tenda que será montada no Memorial, e cinemas do Centro Cultural SP, Espaço Itaú da Frei Caneca, Reserva Cultural, Cinesesc, Cinemateca, Cine Olido, CinUSP da Maria Antônia e da Cidade Universitária.

Este ano haverá homenagem e retrospectiva de dois importantes cineastas, Hector Babenco, o mais paulistano dos argentinos e do pernambucano Lírio Ferreira. É difícil optar por filmes já vistos – como os de Babenco – ou não, como os de Ferreira. Mas é quase impossível evitá-los. Ainda mas quando sabemos que há uma geração que provavelmente nunca viu filmes como “Pixote” ou “O Beijo da Mulher Aranha”, mesmo que a TV a cabo já tenha apresentado esses e muitos outros. E como deixar de ver um cineasta brasileiro, Lírio Ferreira?

Além disso, há uma penca de novos argentinos, além de filmes chilenos, mexicanos, uruguaios. E brasileiros ainda inéditos, como “Trago Comigo”, de Tata Amaral) “Sermão dos Peixes de Christiano Burlan, “Ato, Atalho e Vento” de Marcelo Masagão e outros.

Como encontrar um filme para chamar de seu? Não parece, mas é simples: o título, que pode ser bem inteligente. O país de origem do filme. A temática, o diretor/diretora. O inusitado. É um bom teste para o faro cinéfilo. Sem esquecer de carregar alguns “valeu” no bolso. Podem ser úteis em caso de tédio.

Imperdíveis, para fãs de cinema, são os encontros, debates e o seminário internacional “O Cinema Latino-Americano no Século 21” (nos dias 3, 4 e 5 de agosto no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc). Assistir pelo menos a um ou dois complementa de forma extraordinária a experiência.

O melhor de tudo é ir ao site do festival : festlatinosp.com.br/2015/ e fazer as escolhas, unindo o interesse à possibilidade, mesmo porque, é difícil ver tudo o que se quer ver. Uma coisa é certa: dificilmente alguns desses filmes entrarão em circuito comercial, então quem busca a originalidade deve sair à procura dos “azarões”: um colombiano aqui, um mexicano meio alternativo ali, um caribenho dando sopa… O resultado, acredite, será extremamente compensador. Há preciosidades ocultas numa mostra dessas, é só garimpar.

E diante do cenário da economia, torcer para que os patrocínios se mantenham, pois eles são cruciais para eventos como esse, ou a Mostra de Cinema, exposições, teatro, dança e outras expressões artísticas, por meio das quais o País cresce e se prepara para os desafios.


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