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Em busca dos holofotes, Trump faz do ditador Kim Jong-un um estadista

Vamos falar sério, alguém já ouviu ou leu alguém falar bem de Kim Jong-un o ditador-herdeiro da Coreia do Norte, até a semana passada? Não, claro que não. Tudo que […]

17/06/18

Vamos falar sério, alguém já ouviu ou leu alguém falar bem de Kim Jong-un o ditador-herdeiro da Coreia do Norte, até a semana passada? Não, claro que não. Tudo que se sabia é que ele mandou matar vários parentes, dezenas de adversários, além de manter seu povo à mingua, num forçado regime alimentar que ele, gourmet comprovado, jamais seguiu, como mostra sua silhueta?

Mas Donald Trump, de olho em vários interesses próprios, tais como conquistar um prêmio Nobel, ou conseguir acesso aos paradisíacos cenários do litoral norte-coreano para seus resorts, ou mais de imediato, obter os votos necessários para republicanos nas eleições de meio de mandato (renovação total da Câmara e de metade do Senado) para impedir que seja submetido a um processo de impeachment se perder a maioria, teve uma reunião de cúpula – de igual para igual – com o pequeno homem forte. Sem contar com a necessidade de Trump de atrair os holofotes para si, mesmo que seja gerando um caos no comércio global e literalmente, traindo os que deveriam ser os aliados dos Estados Unidos, se ele conhecesse um pouco de História?

Durma-se com um Trump desses pairando sobre o mundo. No dia da posse, já deu para perceber que os Estados Unidos estavam nas mãos de um ser muito mais danoso que George Bush. As brigas que Donald Trump comprou com todos os meios de comunicações, a respeito da quantidade pessoas que foram assistir à sua posse davam bem uma ideia do que vinha por aí. As fotos comprovam que o público presente à posse de Trump não chegou à metade do que esteve para ver a posse de Barack Obama em 2009. Mas para ele – como tudo que não o favorece – insistiu nas tais “fake news”. Que é um gênio em fabricar.

Ele repete à exaustão que é um grande negociador, mas fez concessões inimagináveis ao “little rocket man” sem exigir nada em retorno. Como o mundo vai pagar por tais concessões? A briga comercial com a China já ressoa por todo canto e os jornais de hoje dão uma dimensão de sua gravidade. O Brasil será afetado, mas não será o único. As tarifas impostas sobre aço e alumínio e agora as mais recentes impostas à China são astronômicas e vão desestabilizar o mundo.

A história de Trump mostra a desconsideração que ele tem pelos outros: a maior parte dos empreiteiros que construíram há 26 anos seu majestoso Taj Mahal, maior cassino do mundo, em Atlantic City, ficou sem receber por seu trabalho. Inaugurado em 1990 foi vendido em 2014, está hoje fechado e é mais um dos esqueletos do “magnata”. Sua Trump Tower, inaugurada em 1983, foi erigida às custas de uma isenção de impostos de 40 anos, por mais que o então prefeito de Nova York, Edward Koch, se opusesse à medida.

Foram 16 as suas falências e ele se gabou, num dos debates com Hillary Clinton, de ter ficado ainda mais rico com tais pedidos de falência, pois é, nas suas próprias palavras “ um negociante excepcional”.

Já um documentário com várias séries sobre golpes bem-sucedidos no mundo dos negócios, apresentado pelo Netflix, “Na trilha do Dinheiro Sujo”, tem um capítulo dedicado a ele, que se chama “Homem de confiança”. “Con man”, nos EUA, também significa vigarista, escroque. E o episódio mostra suas ligações com magnatas do Cazaquistão, suas negociatas e empréstimos feitos a juros elevadíssimos…

Desde sempre, tudo que ele fez foi calculado para gerar o máximo de publicidade. Mas os Estados Unidos têm um sistema legal que funciona, estruturas sólidas. Se Clinton enfrentou tantos maus momentos por um namoro com a estagiária da Casa Branca e Richard Nixon renunciou após Watergate, o que pode vir para Trump? Um analista político disse que se as coisas ficarem realmente mal para ele, depois de recolher os lucros, vai renunciar e dizer; “Eu venci, sou o melhor”.


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