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É corte, é contingenciamento, é corte

Klaus Kleber O atual governo vem mostrando uma incrível vocação para aprofundar o divisionismo na sociedade brasileira.  O que poucos previam que ia acontecer na última quarta-feira, aconteceu por total falta […]

20/05/19

Klaus Kleber

O atual governo vem mostrando uma incrível vocação para aprofundar o divisionismo na sociedade brasileira.  O que poucos previam que ia acontecer na última quarta-feira, aconteceu por total falta de sensibilidade dos homens no poder no Planalto. Era para ser um movimento de protesto contra a proposta de reforma da Previdência, que atrairia alguns grupos, mas o douto ministro Abraham Weintraub resolveu provocar os estudantes universitários, uma massa sempre pronta para sair em manifestação. E deu no que deu: milhares foram às ruas protestar em mais de 200 cidades do País.

Se não foi de propósito, parece. E essa conversa de que não é realmente um corte, mas um contingenciamento, podendo os recursos podados ser repostos no segundo semestre é papo furado. Muito dificilmente, a economia se recuperaria de julho em diante. Na realidade o que vem aí são mais cortes: o governo acaba de bloquear recursos para 140 projetos em 11 Ministérios, como mancheteou o Estadão de domingo.  

Pode-se alegar que o governo não tem alternativa. Com a arrecadação caindo, teve de cortar gastos discricionários e se vê em apuros para saldar os obrigatórios e para isso pede ao Congresso autorização para contrair empréstimo de R$ 240 milhões para cobrir despesas correntes, safando-se das sanções previstas se infringir a chamada regra de ouro.

Não vamos discutir se já era hora de elevar o teto do orçamento, que começou a valer pelo prazo de 10 anos, a partir de 2017. Mesmo com teto, o que se esperaria, em um período de vacas tão magras, é que o governo selecionasse projetos de maior impacto social, capazes de gerar mais empregos, e se concentrasse neles por algum tempo.

Ficar esperando a aprovação da reforma da Previdência para a economia desencantar parece burrice, pois nada garante que isso vá ocorrer. O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, além de criticar o teto do Orçamento, sugeriu o uso do FGTS em programas que podem criar empregos imediatos, como a construção civil.  

O governo, porém, não quer nada disso. Há quem diga que o presidente só está interessado em temas ligados a costumes e segurança, entendendo como remédio para essa última o armamentismo em massa. Afirma-se também que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer isso mesmo: recessão e, quanto mais brava, melhor.

Aí o País chegaria no ponto que Guedes vem como a solução final: vender tudo. Não só o que está programado, mas colocando no bolo a ser oferecido aos investidores externos: a Petrobrás inteira, o Banco do Brasil o BNDES, etc. Só se salvaria a binacional de Itaipu, porque há um acordo de governo para governo com o Paraguai…

Parece delírio, mas, durante a recente viagem de Bolsonaro aos EUA, saiu uma notícia em um jornal americano que pode ser uma pista. Guedes teria proposto uma fusão do Banco do Brasil com o Bank of America…   


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