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E agora, Bolsonaro?

Klaus Kleber      O candidato vitorioso no segundo turno das eleições, Jair Bolsonaro, já disse e desdisse tanta coisa que é arriscado prever o que ele fará no governo. Mas vale […]

29/10/18

Klaus Kleber     

O candidato vitorioso no segundo turno das eleições, Jair Bolsonaro, já disse e desdisse tanta coisa que é arriscado prever o que ele fará no governo. Mas vale uma primeira tentativa. Parece que os Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente não serão mais fundidos e, como ele não voltou a falar nisso, o Brasil não deve abandonar o Acordo de Paris sobre o Clima, o que, se ocorresse, seria uma grande asneira. As grandes questões que enfrentará logo no início do governo são a reforma da previdência e o alcance da privatização como estratégia para reduzir o déficit público.

Quanto à reforma da Previdência, tem-se a impressão de que ela não seria tão abrangente quanto a proposta encaminhada pelo governo Temer ao Congresso. Bolsonaro é capitão reformado – e recebe por isso – e tudo indica que quer livrar seus ex-colegas de farda de inclusão em uma sistema único e Previdência, que englobaria tanto os empregados do setor privado quanto os funcionários públicos.

Quanto aos integrantes das Forças Armadas, o argumento é que os oficiais e suboficiais começam a carreira muito jovens, ou seja, a contar de seu ingressam em escolas militares ou em cursos especializados. Por isso, a elevação da idade para aposentadoria é considerada injusta. Essa exclusão dos militares da reforma tende a ocorrer, mas o que não está claro se seria também a regra para a Polícia Federal, as Políticas Militares dos Estados e agentes penitenciários.

Já com relação à privatização. O futuro czar da economia, Paulo Guedes, que chefiaria o Ministério da Fazenda — , anexando o Planejamento, mas não o da Indústria e Comércio, ao que consta — , não terá tanta desenvoltura para agir como ele imaginava. A Petrobrás permaneceria estatal, provavelmente chefiada por um militar, mas algumas subsidiárias, como refinarias, seriam vendidas. Há dúvidas também quanto à licitação ao setor privados de usinas hidrelétricas.

Quanto ao setor financeiro, à privatização da Caixa Econômica Federal (CEF), instituição de capital fechado, é uma possibilidade, já cogitada pelo atual governo. Quanto ao Banco do Brasil (BB), a questão é mais complexa, tratando-se de uma empresa de economia mista, com ações na bolsa de valores. O mais provável é que o governo reduza a sua participação no capital do BB, no qual o Tesouro Nacional mais fundos, inclusive o de pensão dos funcionários detêm 70% das ações.

Em rápidas pinceladas, são coisas que o futuro presidente Bolsonaro e seu time poderão tentar fazer na área econômica, podendo talvez incluir uma reforma tributária, sempre adiada. Deixo para os comentaristas políticos a análise sobre como o presidente eleito, que é ex-deputado, vai negociar com o Congresso, estas e outras possíveis reformas, como a administrativa.


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