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Distância social não significa desistir do humor. Por sorte, a Netflix traz Doc Martin.

Claudia Bozzo  Se não chega a ser uma boa notícia, produto em falta no mercado, há uma boa nova para quem segue a Netflix: estará volta no dia 2 de […]

31/03/20

Claudia Bozzo 

Se não chega a ser uma boa notícia, produto em falta no mercado, há uma boa nova para quem segue a Netflix: estará volta no dia 2 de abril de 2020 uma das melhores – e mais divertidas – séries já exibidas, Doc Martin, criada em 2004 pela ITV,com ótimo Martin Clunes. Ele interpreta o mal-humorado médico que foi parar em uma cidade litorânea da Inglaterra, por causa de sua aversão… ao sangue. Essa fobia o afastou de uma carreira na qual teria tudo para ser bem sucedido como cirurgião. E como não é do tipo que faz amigos, isso acaba se voltando contra ele, nas mãos de “colegas” e pacientes insatisfeitos.

Mas o interessante no seriado é o convívio do médico Martin Ellingham com os cidadãos da imaginária Portwenn, filmado na vila de Port Isaac, na Cornualha. Quando desiste de ser cirurgião, vai para a cidade onde passava as férias como criança, com a tia também médica, psiquiatra forense, Joan (Stephanie Cole) que mora lá, onde possui uma fazenda. Das figuras típicas da cidade impossível não gostar, por maior que seja a implicância do irritadiço e antissocial médico com elas. O que lhe falta em traquejo social, ele compensa pela pontaria ao fazer diagnósticos, salvando, sem dúvida a vida de muitos dos moradores locais.

A temporada atual é a de número 9 e segundo o aviso da Netflix, chega às nossas TVs no dia 2 de abril. Pena que a empresa não traz mais os episódios anteriores, tendo à disposição apenas o número 8. Que sempre vale a pena ser visto de novo.

O doutor Martin enfrenta problemas não só com os pacientes, que sempre estranham seus modos bruscos, mas também com as recepcionistas, e troca pelo menos três até ficar com Rowena, presente na oitava temporada, com um casamento à vista nesta nona. É casado com a professora Louisa e pai de um bebê. E dono de um cão que o adota à revelia. Não tem exatamente amigos e entre os personagens “fixos” da série estão o atabalhoado policial Penhale, Sally, a excêntrica dona da farmácia local, o enrolado Bert e seu filho Al, e os usuais atores “convidados” desse tipo de seriado.

Clunes está na estrada há muito tempo e como ator britânico que se preze, passou por peças de Shakespeare e Doctor Who, onde começou na TV em 1983 (na mais recente, o papel é de uma mulher, claro) e esteve em inúmeras séries da BBC. Trabalhou em O Barato de Grace (2000), filme com Brenda Blethyn, que interpreta uma viúva que decide plantar maconha para poder se manter após a morte do marido. Antes disso, em 1998, esteve no premiado Shakespeare Apaixonado e de 1992 a 2014 trabalhou no seriado Men Behaving Badly (Homens mal comportados) exibido no Brasil pelo Eurochannel, uma das melhores coisas que a TV já teve.

Recebeu inúmero prêmios pela sua atuação e é atualmente o protagonista de Arthur & George (2015série em exibição no canal Film&Arts, no qual interpreta Sir Artur Conan Doyle, o próprio, resolvendo casos policiais.

Muito oportuno nesses tempos difíceis, trazer essa série leve e divertida, com ótimos atores e bom roteiro. Mais um ponto para a Netflix, a grande companheira dos distanciados sociais do nosso momento.


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