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Cinema capta temor pelo uso da tecnologia, sem limites éticos

A ficção científica acabou perdendo a graça. Deixou de ser ficção, é a nossa realidade atual. Quando se sabe que os gigantes da tecnologia se reuniram na Califórnia, em Half […]

17/03/19

A ficção científica acabou perdendo a graça. Deixou de ser ficção, é a nossa realidade atual. Quando se sabe que os gigantes da tecnologia se reuniram na Califórnia, em Half Moon Bay, num evento promovido pelo jornal The New York Times, para discutir Inteligência Artificial e Ética, a realidade se torna ainda mais concreta.

Um dos participantes do workshop foi Ash Carter, ex-secretário de Defesa no governo Obama, num momento de relações tensas entre os gigantes do Vale do Silício e o governo dos EUA. Funcionários de várias dessas empresas recusaram-se trabalhar em missões para o Pentágono. Ash Carter emitiu uma diretiva que se mantém até hoje. “Em qualquer aplicação de armamento assistido por máquina, que envolva o uso de força letal, deverá haver um ser humano envolvido na tomada de decisões”, disse ele.

A reflexão e o momento já foram captados, com grande sensibilidade, pelo cinema. Por exemplo, o filme “Decisão de Risco”, de 2015, traz Hellen Mirren no papel de importante oficial, que de Londres, toma a decisão sobre o lançamento de bomba, por um drone, no Quênia. A proposta básica do filme é sobre a morte de civis numa ação que “salvaria vidas”, matando militantes que carregam bombas no corpo.

Outro filme nessa mesma linha é o impactante “Good Kill – Máxima Precisão” de 2014, no qual Ethan Hawke é um major da Força Aérea com um trabalho “de escritório”, quase um “9 às 17”. Não fosse a sua missão: à distância, de Las Vegas, ele pilota drones que participam de ataques letais no Afeganistão. Como se fosse um game. Mas a consciência faz seus estragos em pessoas com um mínimo de sensibilidade.

Além desses dois, há duas séries australianas, atualmente em apresentação na Netflix, que cutucam a mesma ferida. Uma delas é “Secret City”, com a primeira temporada de 2016 e a segunda de 2019, com seis novos episódios. A série mostra a aliança entre Estados Unidos e Austrália, para o controle da sensível região e a espionagem para acompanhar os movimentos da China. A história passa por três primeiros-ministros, e tem uma jornalista bastante eficiente, que vai com gana atrás dos furos e revelações de atividades clandestinas.

Aí também entra o tema da ética e de questões de consciência por parte de pessoas que ativamente movem os delicados fios que formam o emaranhado de política, interesses econômicos, espionagem, ganância e até mesmo algum caráter.

Essa série faz um excelente par com outra, também australiana, chamada “Pine Gap”, que é o nome de instalações secretas que operam um trabalho de vigilância na região do outback australiano, em ação conjunta de três potências: Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. A vigilância abrange todos os aspectos digitais: monitoramento da frota chinesa, seja por satélites ou drones, escuta telefônica, vigilância de e-mails, sem contar o controle dos movimentos das pessoas, com o uso de agentes munidos de máquinas fotográficas, alto-falantes e gravadores…. Prato cheio para paranoicos e pessoas bem informadas.

Sabe-se que em novembro de 2014, Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, foi convidado por Elon Musk para um jantar em sua casa em Palo Alto, Califórnia.

Musk, o empresário por trás da SpaceX e da fabricante de veículos elétricos Tesla, tomou para si a iniciativa de advertir o mundo de que a inteligência artificial era “potencialmente mais perigosa do que armas nucleares” em entrevistas de televisão e nas mídias sociais.

O temor de Musk, em relação à IA em essência, é simples: se criamos máquinas que são mais inteligentes que os humanos, eles poderiam se voltar contra nós. Não se divulgou o resultado das discussões naquele jantar.

Mas agora, em 2019, eventos como o promovido pelo NYT sobre Inteligência Artificial e usos nada éticos de seu potencial, trazem receio e consciência.

A senadora democrata Elizabeth Warren, uma das prováveis candidatas à sucessão de Trump, acaba de defender a imposição de novas regulamentações no setor de tecnologia que exigiriam que grandes empresas, como o Google LLC, dividissem partes importantes de seus negócios.

Warren, apresentou seu plano em um post do Medium. Suas mudanças regulatórias propostas visam empresas de tecnologia que operam plataformas on-line, como lojas de aplicativos e geram mais de US$ 25 bilhões em vendas anuais como “utilitários de plataforma”. Essa designação viria com uma série de novos requisitos legais, principalmente em relação aos produtos afetados. empresas podem oferecer.

A proposta de Warren busca impedir que os gigantes da tecnologia vendam seus próprios aplicativos, mercadorias e outras ofertas nas plataformas que operam. A Amazon.com Inc., por exemplo, seria obrigada a parar de oferecer produtos da marca Amazon Basic por meio de seu mercado. O Google teria que separar seus anúncios e empresas de busca, desmembrando o último. É algo para se acompanhar com interesse.


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