X

Carreira “pós-crise” exige tecnologia. E produtividade

Leonardo Trevisan Qual a melhor projeção de carreira se a economia brasileira acelerar? A capa da The Economist (de 15/03) incluiu o Brasil no conjunto de países que devem voltar […]

por Leonardo Trevisan
09/04/17

Leonardo Trevisan
Qual a melhor projeção de carreira se a economia brasileira acelerar? A capa da The Economist (de 15/03) incluiu o Brasil no conjunto de países que devem voltar a crescer. Um fato: depois de 22 meses de queda o País voltou a abrir vagas em fevereiro. Mas, em que direção estão essas vagas?

Observar o que aconteceu durante a crise ajuda a perceber este rumo. Números do IBGE, divulgados em 8/03, mostraram que o setor de serviço já representa 73,3% da economia. Em 2004 era 64,7%. A indústria de transformação, nos mesmos 12 anos, despencou de 17,8% para 11,7%. Nesse tempo a fábrica encolheu, enquanto restaurante, manicure, banco ou técnico em informática avançaram.

O que aconteceu com indústria e serviços têm muito a ver com produtividade. Nos últimos 3 anos, dados do IBGE, a produção da indústria caiu 4,7% em 2014. No ano seguinte despencou 10,4% e em 2016 outros 5,25% de queda. Os serviços caíram menos, mas caíram: em 2014 ainda cresceram 1% e recuaram os mesmos 2,7% tanto em 2015 como em 2016.

É preciso correlacionar esses números com projeção de carreira. O recuo da indústria tem vários motivos, mas a dificuldade de absorver tecnologia para poder enfrentar o competidor internacional é o maior deles. Nos serviços quase não há competidor externo. Nesse caso, por falta desse competidor também pouco se absorveu tecnologia e menos ainda cresceu a produtividade. Em 2015, 54,8% da população estava empregada em “serviços tradicionais” (comércio, turismo ou trabalho doméstico, por exemplo) enquanto só 12,8% trabalhava em serviços ligados à inovação.

Esses números indicam baixo vínculo com novas tecnologias, tanto na indústria como nos serviços. Pouca produtividade, em ambos, indústria ou serviços, têm a ver com pouca tecnologia. Portanto, projeção de carreira com “bom futuro” exige entender que emprego de qualidade quer dizer, primeiro, desemprenho com produtividade. E, setor com capacidade produtiva quer dizer amistosa convivência com novas tecnologias. Tanto faz se na indústria ou nos serviços.

Gente começando a vida, saindo da escola, ou os mais vividos, que pensam em transição de carreira, precisam definir como “interessante” a empresa que adota novas tecnologias como obrigação. É isso que gera produtividade e sustenta, de verdade, carreiras “de futuro”. Como os dados do IBGE revelam.

(março 2017)


Todos os direitos reservados, 2019.