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Carl Sagan trouxe a ciência para nossas casas. E sua série, “Cosmos”, está de volta à TV, de roupa nova

Claudia Bozzo Quem viu, jamais esquecerá. Para quem não viu, os 13 episódios da série “Cosmos”, exibida originalmente pela TV Globo, na década de 1980, estão à venda, em uma […]

30/03/14

Claudia Bozzo

Quem viu, jamais esquecerá. Para quem não viu, os 13 episódios da série “Cosmos”, exibida originalmente pela TV Globo, na década de 1980, estão à venda, em uma série de DVDs. Ou podem ser vistos pelo YouTube.

A série agora volta pela National Geographic, produzida pela ex-esposa do cientista, Ann Druyan, e  por Steven Soter, apresentada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, em Nova York, um fiel discípulo de Carl Sagan.

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Para o escritor Isaac Asimov (“Eu Robô”), Carl Sagan era uma das duas únicas pessoas que ele conheceu, cujo intelecto superava o seu próprio. A outra, dizia, era o cientista Marvin Minsky, especialista em ciências da computação e inteligência artificial.

A nova série recorre a efeitos especiais mais elaborados. Claro, são outros tempos. Na primeira, produzida pela rede americana PBS, nem existia ainda, por exemplo, a internet.  E sinal dos tempos: foi por comentários de amigos no Facebook que fiquei sabendo do lançamento da nova temporada, também com 13 episódios, apresentada quase simultâneamente que nos Estados Unidos, quinta-feira no canal National Geographic, com várias reprises. Pena que é dublada, sem possibilidade de idioma original e legendas, perdendo-se nisso o precioso texto poético de Carl Sagan.

Sagan morreu muito cedo, aos 62 anos, em 1996.

E quem estiver interessado, vai se maravilhar com sua última entrevista, no YouTube, em https://www.youtube.com/watch?v=h9DwkAWJTew, com legendas, na qual fala de suas preocupações com as pessoas que tomam as decisões que vão afetar nosso futuro, em uma sociedade tão voltada para a tecnologia: “nós sabemos que existe apenas um punhado de  congressistas com algum conhecimento de ciência”. Ele considera explosiva a mistura de “ignorância e poder”. Era um visionário, e os episódios já apresentados ressaltam os acertos de seus temores.

Morreu antes de ver a ascensão de George Bush ao poder e a explosão dos criacionistas de várias denominações, aliados da nova direita americana. O mesmo Bush que “venceu” Al Gore, este sim um homem com os pés no futuro. É como se a ignorância tivesse crescido desmesuradamente naquele país, sob o domínio de medos difusos. Um país que, como poucos, domina os campos da ciência, da tecnologia e da produção científica – embora nos últimos anos sejam os asiáticos que cada vez mais crescem no registro de patentes, um forte indicador da perspectiva de futuro para um país.

Mesmo que a nova “Cosmos” não tenha o mesmo impacto da primeira série, merece ser vista. O primeiro capítulo (Perdeu? Não se preocupe, TUDO se repete em TV a cabo.) recria o Calendário Cósmico de Carl Sagan com efeitos muito especiais. E é sempre bom ter de volta uns minutos de inteligência na TV.

Para quem gosta desse tipo de programa, outro imperdível é “Stargazing”, da BBC, apresentado por Brian Cox e Dara O’Brian. Como qualquer coisa que a BBC faz, a qualidade das informações, das imagens e das pesquisas é de entusiasmar. A série vai atrás dos avanços que a astronomia tem conseguido, seja com o envio de sondas ou telescópios espaciais ou estações orbitais e satélites e disseca os temas, que poderiam ser até mesmo complexos, em linguagem simples e acessível, direta e inteligente.

Num dos últimos episódios de “Stargazing”, já na segunda temporada, ficamos sabendo que num período de apenas 60 anos (o início da corrida espacial), o homem já colocou tanto lixo em órbita, que estamos chegando ao ponto de saturação. Há pelo menos 35 milhões de objetos orbitando em uma distância de até 2 mil km da terra, entre eles mil satélites, 20 telescópios e uma estação orbital. Sem contar com os satélites mortos, restos de espaçonaves, circuitos eletrônicos, luvas de astronautas e 32 reatores nucleares.

A atual série Cosmos que está sendo exibida mostra o que se confirmou das previsões iniciais de Sagan e o que foi adiante, graças às novas descobertas e novas tecnologias. A primeira foi vista por pelo menos 400 milhões de pessoas em 60 diferentes países. Nos Estados Unidos, o primeiro episódio da segunda temporada teve divulgação global por dez filiadas da rede Fox, com 5,8 milhões de espectadores.

Uma boa ideia é lembrar Carl Sagan e seus livros. E sua famosa frase: “Não quero crer, quero saber”.


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