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Caminho ainda tortuoso para a reforma da Previdência

Klaus Kleber A pergunta que se faz neste momento é: em que medida os resultados das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal vai ajudar […]

04/02/19

Klaus Kleber

A pergunta que se faz neste momento é: em que medida os resultados das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal vai ajudar a tramitação da reforma da Previdência, considerada essencial para implantação da uma nova política econômica?  

A resposta parece mais fácil no que toca à Câmara. A reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), com 334 votos, pode garantir que o projeto passe pela Câmara no primeiro semestre, precisando para isso de 308 votos, ou seja, 3/5 do total (513 deputados).

Ninguém sabe exatamente qual é a reforma previdenciária que o atual governo irá propor, mas supondo que o governo aproveitará a o projeto já enviado pelo ex-presidente Michel Temer, a propositura poderia desde já começar a percorrer seu tortuoso caminho na Câmara.

É claro que nem todos que votaram em Maia votariam pela reforma, mas é inegável que ela tenha maior chance com o deputado fluminense no comando.

A questão é muito, muito mais complicada no Senado. Depois de duas vexaminosas sessões, tendo a última, no sábado, durado nada menos que nove horas, saiu vencedor o senador Davi Alcolumbre (DEM/AP), um desconhecido em que ninguém apostava, com 42 votos. Como nenhum veículo deixou de assinalar o velho e super-controvertido senador Renan Calheiros (MDB-AL) e sua turma foram derrotados.

Ora, para ser aprovada, em dois turnos no Senado, a reforma da Previdência necessitará de 49 votos (3/5de um total de 81 senadores), Quer dizer que se o projeto do governo tiver o apoio de todos os que votaram em Alcolumbre  – o que é duvidoso – faltariam ainda sete para completar 49.

A vitória do senador do Amapá é creditada a ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Não sou analista político e muito menos “cientista político”, como tantos se intitulam nos últimos anos, mas Lorenzoni não tem muito que se gabar. Agora, é que será testada a sua capacidade de articulador político.

Em seu discurso depois de eleito o novo presidente do Senado apelou pela união em prol dos interesses maiores do País. A fala foi apenas protocolar, pois sua vitória causou fundas mágoas que podem interferir quando foram votados projetos de interesse do governo. Lorenzoni e ele terão agora de vencer adversários poderosos, com Renan à frente. Mas pode ser que também Renan amoleça… O País quer, nesta hora, é conhecer o teor da reforma que o governo vai propor. Dizem que, com o presidente Bolsonaro ainda hospitalizado, isso só aconteceria só depois do Carnaval no começo de março. Evoé!


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