jun 25

Claudia Bozzo
“Uma Família a Dois” (2016), o filme francês já exibido no Festival Varilux, que entra em cartaz esta semana, é um caso raro no cinema francês. Embora à primeira vista pareça ser o remake do ótimo “Kramer Versus Kramer”, de 1979, dirigido por Robert Denton e tendo Dustin Hoffman e Meryl Streep, suas origens são mais singelas. É um remake sim, mas de um filme mexicano de 2013, “No se aceptan devoluciones”, de Eugenio Derbez. 

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Promete grande bilheteria, pois traz como chamariz o companheiro de François Cluzet em “Os Intocáveis”  –  a história do milionário quadriplégico que reencontra o prazer de viver graças ao seu irreverente cuidador, no caso, Omar Sy. Esse filme fez grande sucesso na França em 2014 (quando tornou-se o mais rentável do cinema francês e rendeu um César de melhor ator a Omar Cy). 

O diretor de “Uma Família a Dois”, Hugo Gélin, vem da aristocracia cinematográfica, pois é neto de um dos mais famosos atores do país, Daniel Gelin. Também é autor do roteiro de “A Gaiola Dourada”(2013) sobre um casal de portugueses, que durante 30 anos vive em um elegante prédio na capital francesa e decide então retornar à terrinha. Lançado no Brasil em 2014.

A narrativa de “Uma família” tem toques edulcorados e é descaradamente melodramática ao contar a história do folgado e festeiro Samuel que ao acordar com fortes batidas à porta acaba recebendo um bebê de uma bela jovem (Clémence Poésy) bem no estilo “toma que o filho é seu”. Ela ainda lhe pede dinheiro para pagar o táxi. Por esse caminho, lembra outro filme francês, de alta qualidade, “Três Homens e um Bebê” (1986, de Colie Serreau), que também rendeu remakes, como o norte-americano, e uma continuação, “18 Anos Depois” (2003), da mesma diretora e com o elenco original. 

Samuel, todo inseguro para cuidar da filha Gloria (Gloria Colston), sabendo que a mãe (Kristin) partira para Londres, vai à sua procura, tentando devolver a bebê. Não a encontra, é claro, mas torna-se um dublê de sucesso, ganha muito dinheiro e dá à filha um elevado padrão de vida na caríssima Londres, graças à amizade com Bernie (Antoine Betrand) que lhe abre muitas portas na cidade. Um pai ideal, uma filha perfeita, amigos leais, uma escola perfeita. Precisa mais para retratar a felicidade? 

Sim, a bruxa malvada, que vem na figura da mãe, acompanhada do namorado, pedindo a guarda da filha. O filme derrapa em todos os clichês possíveis, incluindo a interpretação de Omar Sy, bem “over”. Ele está bem em “Chocolate” (2016) e “Samba“ (2014) e seu currículo inclui incursões em blockbusters. Mas essa família de dois deve ser evitada por diabéticos. E também por quem gosta de um pouco mais de sutileza.

written by Leonardo Trevisan


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