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Klaus Kleber
Por suas ações e tuitadas, Donald Trump, o bufão que ocupa a presidência dos EUA, é motivo de inquietação global. Ele quer simplesmente desafazer tudo o que o seu antecessor, Barack Obama, conseguiu no o plano interno e externo. Suas últimas ações, amplamente noticiadas, foram um decreto executivo com o objetivo de começar a desmantelar o sistema de saúde par o qual Obama obteve a aprovação do Congresso e que Trump não conseguiu desfazer pela mesma via; e, invertendo a jogada, resolveu não confirmar o acordo nuclear com o Irã, transferindo a decisão para o Congresso, que tem prazo de 60 dias para se pronunciar sobre a matéria.

Não é a primeira vez que que Trump, em menos dez meses de governo já fez para minar a credibilidade de Washington no que diz respeito a acordos internacionais. Ele retirou os EUA das tratativas avançadas para o chamado Parceria Transpacífico e agora tenda renegociar o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) excluindo o México como parceiro. Não se sabe se o Nafta sobreviverá com um acordo limitado dos EUA com o Canadá, mas a lista de estragos de Trump no comércio internacional vai aumentar, afetando o Brasil.

Leio no Estadão (14/10) que empresários e economistas brasileiros já estão preocupados com a intenção de Trump de reduzir impostos para as empresas e as classes de renda média. A reforma tributária proposta pela Casa Branca prevê o corte de 35% para 20% dos impostos para as empresas americanas, ficando abaixo da média de 22,5% dos países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Já no Brasil, o imposto de renda sobre as empresas é de 34%, carga que se for mantida, as tornaria ainda menos competitivas.

Isso é verdade, mas a carga tributária sobre as empresas, o pato que a Fiesp elegeu em símbolo, não é tão alta assim na prática. Periodicamente, numa média de três ou quatro anos, os governos brasileiros decretam um Refis, perdoando dívidas tributárias e multas em proporções absurdas, que chegam até 90%.

Contudo, convenhamos que a medida de Trump possa gerar pressões para alterar a tributação sobre as empresas para torná-las menos pesadas. Acontece que, com o grave problema fiscal que o governo busca enfrentar, nem sempre com êxito, será preciso buscar receitas de outra forma. Seria aumentar os impostos sobre o consumidor, como tem sido comum?

Se alguém, afinal, teria de pagar o pato, não seria hora de o País realizar uma reforma tributária ampla, acabando com privilégios e taxando rendas que são taxas em todo o mundo, como dividendos, mas aqui permanecem sagradas. Se isso acontecer, Trump, de quem todo o mundo, tem medo, terá prestado um favor ao Brasil.

written by Leonardo Trevisan


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