out 09

Klaus Kleber
A curta semana que se inicia será marcada pela política ou pela judicialização da política. Manobras no Congresso à parte, a grande questão que deve dominar o noticiário é a deliberação que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deve tomar no dia 11, quarta-feira, mantendo ou não o afastamento do senador Aécio Neves de suas funções, com obrigatório recolhimento noturno, uma medida cautelar que tem a aparência, o cheiro e o gosto de jabuticaba. As apostas variam de um placar no STF de 7 a 5 ou 6 a 5 a favor do senador mineiro, evitando assim uma crise institucional. Ufa!

No plano econômico, mais duvidosa será a decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na semana seguinte, ou seja, nos dias 24/25 de outubro. Para aqueles que preveem uma taxa básica de juros em 7% ao fim deste ano, não será surpresa se o Copom baixar a Selic em 0,75 ponto percentual no fim de outubro, trazendo a taxa para 7,50% e deixando para a reunião de 5/6 de dezembro uma redução de 0,50 ponto, fechando na marca prevista em 2017.

Acontece que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) emplacou 2,54% em 12 meses terminados em setembro e pode ser que a taxa acumula do Índice baixe mais em outubro, se não houver aumento dos combustíveis. Sem pressão dos preços dos alimentos e dos salários, apesar de recair em outubro a data-base de grandes categorias de trabalhadores. A maior pressão parece que deverá vir do aumento das contas de luz.

De qualquer modo, haveria condições para o Copom baixar a taxa de juros em 1 ponto percentual este mês, trazendo-a para 7,25%, o nível mais baixo obtido no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Com uma baixa adicional de 0,75 ponto em dezembro, o BC diminuiria o juro real de forma apreciável e poderíamos, sim, ter uma Selic de 6,5% em 2018, como já antecipam algumas consultorias, o que parece uma quimera.

Contudo, não é só o comportamento da inflação que influi na fixação da Selic. Afinado com o Ministério da Fazenda e tendo lá suas próprias idiossincrasias, o BC também leva em conta a necessidade de aprovação da reforma da Previdência Social.

Para alguns analistas políticos, isso seria praticamente impossível ainda este ano, lembrando que a concessão ou não pela Câmara de licença para que o presidente Temer possa ser processado pelo STF – o que daria início a um novo processo de impeachment – vai ocupar o restante do ano legislativo.

Apesar de tudo, é possível que venha a ser aprovada uma reforma previdenciária ainda que aguada, se o governo recobrar força no Congresso. O que tudo parece indicar é que essa reforma continue no limbo até o final do governo Temer e que o tema domine os debates na eleição presidencial do ano que vem.

written by Leonardo Trevisan


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