set 10

Leonardo Trevisan
Carreiras dependem cada vez mais de dados. Talvez, eles até ganhem das competências específicas. Estas podem ser adquiridas no mercado do conhecimento. Em múltiplas formas, fora e dentro da empresa. Dado é outra coisa. E eles serão básicos para o sucesso ou fracasso das trajetórias profissionais.

A capa do Carreiras & Empregos (23/07) apontou o essencial: Recursos Humanos já se digitalizaram. Informações próprias já integram um “Big Data do RH”. Indicadores de gestão já avançaram para indicadores específicos que fazem o “controle de coerência”, para méritos ou desligamentos. Esta coerência já adequa candidatos às vagas.

Esta é a realidade que temos. A questão é para onde vamos. Artigo da The Economist (21/07) mostrou que a China deve ultrapassar os EUA em inteligência artificial.

Motivo: melhor uso dos dados. A questão está nos algoritmos que aprendem, que ligam uma informação na outra. Em qualquer área, inclusive RH.

A revista conta a função do Xiaoice, sistema operado pela Microsoft, ainda só na China. É um “robô-confidente”, que já foi comprado por mais de 100 milhões de chineses. A maioria fala com “ele” das 11 da noite até as 3 da manhã. O robô ouve queixas do dia de trabalho, do relacionamento com o chefe e colegas. E fala frases de apoio e lê poemas de autoajuda.

O Xiaoice oferece conforto a partir do que ouviu. Não há registro de queixas com o uso dos dados. O fabricante do Xiaoice quer vender dados, não só robôs. O artigo está em: https://www.economist.com/news/business/21725018-its-deep-pool-data-may-let-it-lead-artificial-intelligence-china-may-match-or-beat-america

O Big Data chinês desperta preocupações. Editorial do Financial Times (27/07) lamentou que 4 províncias chinesas operam sistema que prevê crimes analisando comportamento a partir de base de dados. A China é o “laboratório” mundial na área. Apple, Facebook, Microsoft e Amazon obedecem Pequim, aceitam imposições, porque precisam “acompanhar” a China.

Nesse ritmo, sem dúvida a expressão “capital humano” terá outro sentido. Já é possível, inclusive no Brasil, selecionar gente a partir de dados de coerência e valores. O passo seguinte será o domínio das expectativas. Como o Xiaoice já ajuda a fazer. Sem esquecer que o robô também conta quem, de verdade, o chefe é. Sem intermediários.

(agosto 2017)

written by Leonardo Trevisan


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