nov 04

Leonardo Trevisan
A pergunta incomoda: em área tão sensível como recrutamento, automação fará tudo ficar diferente? O simples uso da inteligência artificial provocará contratações diversas das que sempre foram feitas pelos métodos tradicionais dos humanos?

Definir formato de recrutamento desenha o perfil do capital humano da empresa e as projeções de carreira. Artigo do Financial Times (de 27/09), assinado por Hannah Kuchler, avisou: tecnologia da informação (TI) “não é neutra”. Inteligência artificial (IA), é criada por pessoas que têm suas próprias “convicções e pré-disposições” que acabam incluídas nas ferramentas e plataformas que produzem.

Como notou o artigo, inteligência artificial é como criança que imita o comportamento dos pais e não o que eles falam. Ou seja, IA reúne informações, busca padrões e os copia. Recrutar por automação não quer dizer diversidade garantida. Ao contrário, a máquina irá seguir o padrão dos sistemas humanos. Apenas, as escolhas serão mais rápidas e mais baratas. Este artigo está em: https://www.ft.com/content/a5982330-75f6-11e7-a3e8-60495fe6ca71

É indiscutível que automação será cada vez mais intensa no recrutamento e em outras ações de RH. O que o artigo diz é que serão procurados e contratados os mesmos “homens brancos formados em Oxford e Harvard”. Ou seja, com IA diversidade é desejo, não realidade. Lembre: TI repete o que o “pai” faz (os “costumes adquiridos”) e não o que fala.

É possível que a TI fará apenas mais do mesmo, só mais rápido e mais barato. É verdade que TI pode gerar boa transparência. O Google mostrará o nível de estoque da loja da mercadoria procurada. Formação de preço no varejo mudará muito. Ponto para o consumidor.

Mas, no “grande atacado” os sinais não são de mundo novo com IA. O mercado já percebeu (e precificou) que TI reproduzirá o existente. Artigo da The Economist (de 30/09, “Uneasy accommodation”) mostrou que disrupção tecnológica só concentrou o “lucro do negócio”. Exemplo: a compra da varejista de alimentos Whole Foods pela Amazon disseminou terror nas gôndolas dos vizinhos. Lição óbvia: com TI os grandes engolem os pequenos ainda mais rápido. Ou, a lei da selva corporativa ficará, apenas, bem mais veloz.

(outubro 2017)

written by Leonardo Trevisan


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