jul 24

Leonardo Trevisan
Escolher o inimigo mais perigoso é tarefa complicada. Há um consenso: novas ondas de automação agravaram a substituição de funções humanas. Tarefas que demandam capacidades cognitivas complexas e formação superior acabam entregues a robôs. Com maior produtividade e menor custo. A velocidade dessa substituição aumentou.

Artigo do Project Syndicate (7/06), da professora de Berkely Laura Tyson, com pesquisa da McKinsey Global Institute em 46 países, mostrou que 60% de todas as ocupações já podem ter ao menos 30% de suas atividades automatizadas.

Pensar carreiras neste processo exige identificar cenários promissores ou ameaçadores. Exemplo: há outra lógica de “pensar negócios” no avanço da impressora 3D. O que deve piorar a substituição dos humanos.

Esqueça ficção científica. Vale mais olhar a realidade e a rapidez da mudança. A The Economist (edição de 3/07) mostrou o quanto a máquina de “imprimir coisas” pode mexer na economia de escala. Sem esquecer o quanto já alterou conceitos arraigados de eficiência das cadeias integradas de produção. Com risco ao emprego de muita gente.

A Economist descreve, entre outros exemplos, como a Adidas alemã usou essa “possibilidade” para repensar a produção na China.  Motivo: a impressora acompanha mudança de moda e design muito mais rápido. Basta alterar o soft. O tênis novo que leva meses para ser refeito na China, é “impresso” em dias.

A lógica de produção na fábrica é dividir, cortar, perfurar, fresar. A da 3D é adicionar. Seja com que material for. O essencial: quem passa a dar as cartas são os químicos, não mais os engenheiros. O que conta é o material que alimenta a impressora. Não é mais o “fazer”. Aliás, fazer, cortando ou fresando gera desperdícios. De coisa cara, como metais nobres.

Os problemas das impressoras ainda são muitos. Cenário de risco para carreiras e empregos ainda não está na impressora de mil dólares, a que se leva para casa. É a máquina de um ou dois milhões de dólares cada, que substitui uma fábrica inteira, com milhares de empregos, investimento de centenas de milhões. 

A Economist conta que a impressora de um milhão de dólares já pode ser “alugada” por US$ 40 mil/mês.

Humanos podem ter errado no inimigo mais perigoso. Pare para pensar: impressora 3D pode desempregar até o robô.

(julho 2017)

written by Leonardo Trevisan


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