jun 19

Klaus Kleber
Está cada vez mais difícil escrever sobre a conjuntura econômica no País enquanto não se resolve o problema político-institucional. Em sua maioria, os analistas políticos acreditam que o presidente Michel Temer sobreviverá à denúncia do procurador-geral da República, que deve ser apresentada à Câmara nos próximos dias. Talvez ainda durante a viagem que presidente fará, a partir desta segunda-feira, à Rússia e à Noruega. Talvez logo depois.

Mesmo que Temer continue no Planalto, a expectativa é de que tenderá a ceder às pressões do Congresso e dos empresárias para se manter no poder. Virou moda falar-se em “sarneyzação” de Temer de ora em diante — e o termo foi lançado por Mailson da Nóbrega, que como se recorda, foi ministro da Fazenda e o responsável pela política do “feijão com arroz” nos estertores do governo de Sarney.

É verdade que, como mencionou Mailson (Estadão, 11/6) não temos hoje crise do balança de pagamentos – as exportações vão muito bem e têm entrado capital estrangeiro em bom volume e a inflação está em baixa. Mas, simplesmente, o atual governo será obrigado a desistir, na prática, à sua política de austeridade fiscal e de ambiciosas reformas.

Quem dá um tostão furado pela manutenção da MP 774, de março e que deveria acabar com as generosas desonerações fiscais concedidas em 2011 pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff? Se a MP não for aprovada até lá pelo Congresso – e há o recesso parlamentar no meio — perderá validade.

Com isso, segundo se tem afirmado, Temer ganha pontos com o empresariado, que está jogando duro, ameaçando demitir ainda mais se não continuar a desoneração “ad infinitum” da folha de 50 setores industriais.

O problema é sério porque a arrecadação federal persiste em queda, apesar de um sopro de alívio no ritmo de atividade. Indo a MP 774 pro brejo, o governo deverá deixar de arrecadar R$ 4,8 bilhões entre agosto e dezembro. Junto com outra “bondades” que o governo vem fazendo, com tendência a aumentar, como fica a meta de déficit primário do setor público consolidado em 2017, fixada em R$ 143,1 bilhões?

É curiosa também uma notinha de pé de página da Folha de S. Paulo: a reforma trabalhista seria aprovada pelo Senado da forma que saiu da Câmara. Mas Temer pretende corrigir algumas distorções da nova lei trabalhistas. Entre estas, estaria prorrogar a cobrança o imposto sindical por mais três ou quatro para dar tempo aos sindicatos se reajustarem… Com essa prorrogação malandra, à qual se seguiriam certamente outras, Temer também ganhará pontos com os pelegos.

Sim, o presidente cada vez mais fraco vai ganhando pontos para continuar como Sarney sentado na cadeira presidencial.

written by Leonardo Trevisan


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